Israel aceita discutir libertação de presos em troca de trégua em Gaza

A detenção de um dirigente da Jihad Islâmico, na segunda-feira, precipitou os três dias de violência na Faixa de Gaza.

Israel e a Jihad Islâmica chegaram este domingo à noite a acordo para um cessar-fogo a partir das 23.30, depois de três dias em que Gaza foi alvo de ataques israelitas e o grupo islamita palestiniano respondeu com o disparo de quase mil rockets. A trégua, negociada com o apoio do Egito ao longo de todo o dia, chegou já depois de mais 17 palestinianos, entre os quais nove crianças, terem morrido. No total, desde sexta-feira, morreram 41 pessoas e mais de 300 ficaram feridas na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde local.

A notícia de que a trégua estava a ser negociada chegou ao princípio da tarde e, pouco depois, uma fonte egípcia revelava que Israel teria aceitado - apesar de na véspera alegar que a sua operação "preventiva" contra a Jihad Islâmica, que tem ligações ao Irão, podia durar uma semana. A resposta do grupo palestiniano, considerado terrorista pelos EUA e pela União Europeia, chegou ao final do dia, confirmando o cessar-fogo, mas deixando claro que "reserva o direito a responder à agressão sionista".

Além disso, o grupo agradecia os esforços de mediação das autoridades egípcias e dizia que o acordo "inclui o compromisso do Egito de trabalhar a favor da libertação de dois prisioneiros, [Bassem] al-Saadi e [Khalil] Awawdeh".

Segundo a versão egípcia, Israel aceitou "discutir" a libertação dos dois dirigentes da Jihad Islâmica. Al-Saadi foi detido na segunda-feira em Jenin, na Cisjordânia, enquanto Awawdeh está há 150 dias em greve de fome (tendo já suspendido o protesto algumas vezes), não tendo sido oficialmente acusado de nenhum crime.

A detenção de Al-Saadi foi um dos rastilhos para a violência dos últimos três dias em Gaza - a mais grave desde a guerra de 11 dias em maio do ano passado, que opôs Israel ao Hamas e fez quase 300 mortos. Desta vez, este grupo islamita que desde 2007 controla a Faixa de Gaza estaria a exercer pressão para que a Jihad Islâmica aceitasse a trégua, com o líder Ismail Haniyeh a dizer que estavam a ser feitos esforços para "proteger o nosso povo e parar a agressão" israelita.

Balanço

Desde o início da operação, na sexta-feira, as Forças de Defesa Israelitas atacaram 140 membros da Jihad Islâmica, detendo cerca de 40 e matando pelo menos 15. Entre os mortos estão dois dos líderes do grupo - o comandante da região norte de Gaza, Taysir al-Jabari, no primeiro dia, e o da região sul, Khaled Mansour, no sábado à noite. Além disso, destruíram 11 locais de lançamento de rockets, oito "células terroristas" que iam a caminho ou vinham de os lançar e seis campos militares.

Segundo as contas israelitas, até ao final do dia de domingo a Jihad Islâmica tinha lançado 935 rockets , dos quais 775 entraram em território israelita. Destes, 300 dirigiam-se a zonas povoadas e foram intercetados pelo sistema de defesa israelita (Iron Dome), com 96% de sucesso. Duas pessoas ficaram feridas com estilhaços. Israel diz que terão sido alguns dos 160 rockets que não chegaram a cruzar a fronteira e caíram na Faixa de Gaza os responsáveis pela morte de várias crianças palestinianas - e não os mísseis israelitas, como alega a Jihad Islâmica. Entre os 41 mortos dos últimos três dias, 15 eram crianças.

susana.f.salvador@dn.pt

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