Irão anunciou pretender aumentar enriquecimento de urânio, diz ONU

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica revelou que o Irão anunciou que pretendia instalar duas novas centrifugadoras em cadeia IR-6 no complexo nuclear de Natanz.

O Irão planeia instalar duas novas centrifugadoras em cadeia, que permitirão que Teerão enriqueça mais urânio, disse esta quinta-feira o órgão de vigilância nuclear da ONU.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, informou aos membros do organismo que o Irão anunciou que pretendia instalar duas novas centrifugadoras em cadeia IR-6 no complexo nuclear de Natanz.

A IR-6, através de série de centrifugadoras ligadas, permite fazer uma rotação mais rápida do gás de urânio para o enriquecer. Transformará o urânio 10 vezes mais rapidamente que as centrifugadoras de primeira geração às quais o Irão estava limitado sob o acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais.

A decisão de adicionar as duas centrifugadoras em cadeia IR-6 ao equipamento Natanz ocorre após o Conselho de Governadores da AIEA ter aprovado na quarta-feira, com ampla maioria e pela primeira vez em dois anos, uma resolução crítica do Irão por falta de transparência na cooperação com esta agência da ONU.

Segundo fontes diplomáticas citadas pelas agências de notícias Efe e AFP, o texto, apresentado pelos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha expressa "profunda preocupação" por, apesar de intensos contactos entre o Irão e a AIEA, não se ter esclarecido a origem de vestígios de urânio enriquecido encontrado em três sítios não declarados.

Exorta ainda o Irão a cooperar com a agência e a atuar de forma urgente "para cumprir as suas obrigações legais", uma referência ao acordo de salvaguardas (controles) que assinou com a AIEA.

Na votação, o texto foi aprovado por 30 dos 35 Estados-membros do conselho e, segundo as fontes diplomáticas, apenas a Rússia e a China votaram contra.

As conversações entre o Irão e a AIEA estão a ser conduzidas em paralelo com as discussões sobre a recuperação do pacto nuclear de 2015, realizadas em Viena.

O acordo internacional, assinado em 2015, ficou praticamente sem efeito desde a retirada unilateral dos Estados Unidos, em 2018, durante o mandato do ex-presidente Donald Trump, que alegou falta de cumprimento por parte de Teerão e restabeleceu sanções ao Irão.

Em resposta, o Irão deixou gradualmente desde 2019 de respeitar as duras restrições que o pacto impunha ao seu programa nuclear.

A eleição do atual presidente norte-americano, Joe Biden, permitiu relançar, na primavera de 2021, em Viena, os esforços para recuperar o acordo, mas as negociações estão estagnadas desde março.

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