Um dos membros do comité político do Hamas avisou esta terça-feira (9 de dezembro) que o cessar-fogo na Faixa de Gaza não pode avançar para a segunda fase enquanto Israel continuar com as violações do acordado na primeira fase e fugir aos compromissos. Hossam Badran rejeitou também a ideia, expressa no domingo (7 de dezembro) pelo líder das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), de que a chamada “linha amarela” representa “a nova linha de fronteira” com o enclave palestiniano. O cessar-fogo cumpre esta quarta-feira (10 de dezembro) dois meses.“O Hamas pediu aos mediadores que pressionem a ocupação [Israel] para que esta conclua a implementação da primeira fase”, disse Badran à AFP, lembrando que além dos ataques e das mortes diárias, que continuam a acontecer, falta reabrir a fronteira de Rafah (com o Egito) - o plano israelita é abrir só para permitir aos palestinianos sair - e aumentar a entrada de ajuda humanitária. Do lado do Hamas, prosseguem as buscas para encontrar o corpo do último refém que falta entregar a Israel, Ran Gvili. Segundo as autoridades do enclave, controladas pelo Hamas, Israel violou o cessar-fogo 738 vezes em 60 dias, causando a morte a pelo menos 377 pessoas e ferimentos noutras 987. “Isto constitui uma violação flagrante do direito internacional humanitário e uma sabotagem deliberada da essência do cessar-fogo e das disposições do seu protocolo humanitário anexo”, indicou o gabinete de imprensa em comunicado, citado pela Al-Jazeera. O acordo de cessar-fogo, fruto do plano de paz de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, entrou em vigor há dois meses. Mas a primeira fase, que devia ter durado poucos dias, prolongou-se no tempo, devido à incapacidade do Hamas de cumprir com a rápida entrega dos reféns (tanto os vivos como os mortos). Mas também devido às incógnitas que ainda subsistem em relação, por exemplo, à Força de Estabilização Internacional, que ainda não foi formada nem tem data para entrar no enclave palestiniano. A Turquia é um dos países disponíveis para participar, mas Israel rejeita a sua presença, por causa dos laços que o país tem com o Hamas. Depois ainda há dúvidas em relação ao chamado Conselho de Paz, que deverá supervisionar o grupo de tecnocratas palestinianos responsável pela gestão da Faixa de Gaza. O único nome falado até agora é o do antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, mas as últimas indicações do Financial Times é que este está fora do projeto devido à pressão dos países árabes (que não esquecem o seu papel na invasão do Iraque, em 2003). Apesar dos problemas, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que espera que a segunda fase do acordo comece “muito em breve”. Essa fase inclui o destacamento da força de estabilização e a criação do governo de tecnocratas, assim como o desarme do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza. As IDF devem também, segundo o acordo, recuar para a “linha vermelha”, reduzindo a sua presença no enclave a uma simples zona tampão. Em relação ao desarmamento, o Hamas disse no passado que não entregaria as suas armas. Mas, no fim de semana, um responsável admitiu discutir o possível “congelar ou armazenar” das armas por um período de anos, como parte do processo para garantir um Estado palestiniano. Mas para Israel esse cenário não é viável, o que poderá complicar ainda mais a situação..Netanyahu afirma que Israel e Hamas entrarão em breve na segunda fase do cessar-fogo