Guterres diz que o mundo está "à beira do abismo"

O secretário-geral das Nações Unidas pediu esta quinta-feira que se forme "uma coligação global de países, regiões, cidades e empresas" que se comprometa com o objetivo de emissões carbónicas neutras até 2050.

Falando na cimeira climática de líderes mundiais convocada pelos Estados Unidos, Guterres afirmou que o mundo está "à beira do abismo" por causa dos efeitos das alterações climáticas e que o passo certo inclui "uma coligação global por emissões zero até à metade do século que envolva "cada país, cada região, cada cidade, cada empresa e cada indústria".

A década atual precisa de ser "uma década de transformação" para todos os países, começando com "os maiores emissores", exigindo-se contribuições determinadas nacionalmente "novas e mais ambiciosas" para travar o aquecimento global e políticas "alinhadas com o objetivo de zero emissões em 2050" tomadas já nos próximos dez anos.

No discurso, indicou a urgência que defende falando das alterações climáticas como "uma ameaça existencial" contra a qual é preciso "mobilizar os líderes políticos" e mobilizar o dinheiro necessário para travar na "corrida em direção ao limiar da catástrofe". Isso inclui "ação imediata concreta" com o dinheiro que está a ser mobilizado para a recuperação económica pós-pandemia de covid-19, do qual "apenas 18 a 24% deverá ser gasto na mitigação de emissões".

"Os biliões de que precisamos para recuperar da covid-19 são dinheiro que estamos a pedir emprestado às gerações futuras e não podem ficar presos a políticas que as prendam a uma montanha de dívidas", defendeu.

Guterres reiterou a necessidade de medidas como aplicação de impostos a emissões em vez de rendimentos, ao fim dos subsídios para a exploração de combustíveis fósseis e à necessidade de, antes da conferência das partes signatárias do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global, marcada para o fim deste ano em Glasgow, "surgirem propostas concretas para garantir o acesso a financiamento e tecnologia para os países mais vulneráveis".

À semelhança do Presidente norte-americano, Joe Biden, Guterres destacou também que a transição para energias limpas representa uma oportunidade económica iminente.

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