Gustavo Petro toma posse como presidente da Colômbia

Também tomou posse a primeira vice-presidente negra da Colômbia, Francia Márquez. Primeira ordem do presidente foi que a espada do libertador Bolívar fosse levada à praça, onde estavam centenas de milhares de pessoas.

Gustavo Petro tomou posse este domingo como o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, diante de centenas de milhares de pessoas que apoiam o seu plano para transformar um país desigual e assolado pela crise económica e a violência do tráfico de droga.

O ex-senador e ex-guerrilheiro de 62 anos foi empossado pelo líder do Congresso, Roy Barreras, durante uma cerimónia na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que contou com a presença de nove presidentes e várias delegações internacionais.

"Juro a Deus e prometo ao povo cumprir fielmente a Constituição e as leis da Colômbia", declarou o novo presidente.

De fato azul e gravata preta, Petro recebeu a faixa presidencial e deu depois posse à ambientalista Francia Márquez como a primeira vice-presidente negra da Colômbia.

Espada de Bolívar

O seu primeiro ato oficial foi ordenar que a espada do libertador Simón Bolívar, símbolo da luta guerrilheira e política, fosse levada até ao local da tomada de posse. O seu antecessor, Iván Duque, tinha proibido a sua presença na cerimónia, segundo a EFE.

Meia hora depois, e após uma suspensão de dez minutos na cerimónia, a espada chegou. O roubo da espada da Quinta de Bolívar, a casa museu no centro de Bogotá onde estava exposta, foi o primeiro ato da guerrilha do Movimento 19 de Abril, a 17 de janeiro de 1974. Petro militou na juventude neste movimento.

A espada foi devolvida ao governo por ocasião da desmobilização da guerrilha após a assinatura do acordo de paz em 1990 e desde então está na Casa de Nariño, sede do governo. Devido ao seu simbolismo, Petro queria que estivesse presente na cerimónia de posse, tal como a escultura da pomba da paz criada por Fernando Botero para a assinatura do acordo de paz com as FARC, em 2016.

Discurso

No seu discurso, Petro defendeu acabar com a fracassada "guerra às drogas" e passar para uma "política de forte prevenção ao consumo" nos países desenvolvidos.

"É hora de uma nova convenção internacional que aceite que a guerra às drogas falhou", declarou o presidente do país com a maior produção mundial de cocaína.

Desafios

Petro, que sucede o impopular Iván Duque, vai governar por quatro anos num país de 50 milhões de habitantes que pela primeira vez entrará na órbita da esquerda na região.

O político que foi líder da oposição nas últimas duas décadas assume com uma série de reformas em mente e as expectativas de metade do país que votou nele na segunda volta, a 19 de junho.

A Colômbia inicia assim um período de mudanças, com um dirigente de esquerda na presidência, um Congresso a seu favor e uma oposição enfraquecida após a derrocada do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), líder da direita.

Petro parte de uma "posição invejável, com maioria ampla no Congresso e, em termos de rua, tem um apoio que nenhum governo teve nos últimos anos", destaca o analista Jorge Restrepo, do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac).

Petro anunciou um gabinete de diversas tendências, com as mulheres à frente de vários ministérios e a missão de executar diversas reformas.

Entre as mudanças prometidas está o projeto para elevar os impostos aos mais ricos, ajustar a cobrança de impostos e taxar as bebidas com açúcar, em busca de recursos para os planos sociais.

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