Guarda costeira dos EUA recusa estabelecer tempo limite para encontrar com vida passageiros do Titan
O capitão da Guarda Costeira dos Estados Unidos recusou estabelecer um tempo limite para encontrar com vida os cinco passageiros do Titan, como se chama o submersível de 6,7 metros de comprimento perdido numa viagem até aos destroços do Titanic.
Jamie Frederick diz que há vários fatores que podem fazer variar a contabilidade do tempo, nomeadamente a forma como está a ser gerido o oxigénio, admitindo até que o submersível possa estar à superfície.
"Esta é uma missão de busca e resgate a 100%. Estamos no meio de uma busca e resgate e continuaremos a colocar todos os recursos disponíveis que temos para encontrar o Titan e os membros da tripulação", assegurou. "Temos que permanecer otimistas e esperançosos", acrescentou.
O responsável garantiu que as autoridades estão a juntar especialistas em várias áreas para chegar à zona onde está o submersível e lamentou que as buscas no local onde foram ouvidos sons subaquáticos não produziram efeitos. "Esses sons vão ser tidos em conta, mas não houve qualquer busca adicional", frisou, garantindo que a área das buscas está a ser expandida a cada hora.
Frederick disse ainda que o estado do tempo tem dificultado as buscas.
O submersível tinha uma reserva de oxigénio de quatro dias quando se fez ao mar, na manhã de domingo, segundo David Concannon, conselheiro da OceanGate Expeditions, que supervisionou a missão.
O jornalista da cadeia televisiva norte-americana CBS News David Pogue, que viajou até ao Titanic a bordo do Titan no ano passado, disse que o veículo usa dois sistemas de comunicação: mensagens de texto trocadas com um navio de superfície; e 'pings' de segurança que são emitidos a cada 15 minutos para indicar que o submersível ainda está a funcionar.
Ambos os sistemas pararam cerca de uma hora e 45 minutos depois de o Titan ter submergido, no domingo, indicou a empresa OceanGate Expeditions, proprietária da embarcação e organizadora das viagens aos destroços do Titanic.
"Isto significa uma de duas coisas: ou eles perderam toda a energia ou o submersível abriu uma brecha no casco e implodiu instantaneamente. Ambas são devastadoras", disse Pogue.
Na terça-feira, a França anunciou que o instituto Ifremer de ciências oceânicas enviou um navio, o Atalante, equipado com um robô subaquático, o Victor 6.000, para procurar o submersível.
O Victor 6000 deve chegar ao seu destino hoje e mergulhar até uma profundidade de cerca de 4.000 metros para realizar operações de busca.
Os restos do Titanic - que afundou após colidir com um iceberg, em 1912 - estão a uma profundidade de cerca de 3.800 metros e a uma distância de aproximadamente 640 quilómetros a sul da ilha canadiana de Newfoundland.
A comunicação perdeu-se quando a embarcação estava a cerca de 700 quilómetros a sul de São João da Terra Nova, segundo o Centro de Coordenação de Salvamento Conjunto do Canadá, citado pela agência de notícias norte-americana Associated Press.

