Grupo de mercenários russos Wagner garante ter conquistado Soledar

O exército ucraniano diz que Soledar, na região de Donetsk, "é e sempre será ucraniana".
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O chefe do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigojin, disse esta quarta-feira que os mercenários conquistaram Soledar, cidade próxima de Bakhmut, na região ucraniana de Donetsk. Já o exército ucraniano diz que Soledar "é e sempre será ucraniana"

"Unidades da Wagner assumiram o controlo de todo o território de Soledar. Continua a luta no centro da cidade, onde estão a ser travadas batalhas urbanas. O número de prisioneiros será anunciado amanhã [quinta-feira]", disse Prigozhin na plataforma Telegram.

O fundador do Wagner garantiu que nenhuma unidade, exceto a organização paramilitar, participou no ataque a Soledar.

Horas antes, o líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, tinha já garantido que Soledar estava sob o controlo dos mercenários do grupo Wagner.

A mesma fonte detalhou que algumas tropas russas já assumiram posições em Soledar, enquanto outras estão a mover-se pela cidade "com bastante eficiência" enquanto realizam "uma operação de limpeza" na parte oeste da cidade.

A cidade de Soledar "é e sempre será ucraniana", declarou, entretanto, o exército ucraniano, após o grupo russo Wagner ter declarado o controlo desta localidade a 15 quilómetros de Bakhmut, que a Rússia tenta conquistar desde o verão passado.

"Soledar foi, é e sempre será ucraniana!", afirmou o Exército ucraniano na rede social Telegram.

Os militares ucranianos disseram que "não é verdade" que o líder do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, esteja dentro das minas de sal de Soledar, conforme a foto divulgada pela agência de notícias russa RIA Novosti.

Durante o habitual discurso noturno em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tinha prestado uma "homenagem especial" aos combatentes da 46.ª brigada aeromóvel pela "bravura e firmeza na defesa de Soledar".

Zelensky tinha referido que esta era uma cidade onde "já quase não havia vida".

A presidência russa (Kremlin) defendeu hoje que não se declare "à pressa" uma vitória em Soledar, cujo controlo foi reivindicado pelo grupo paramilitar russo Wagner.

"Não temos de nos apressar. Vamos esperar pelas declarações oficiais", disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerando, no entanto, que houve "uma dinâmica positiva nos avanços" das forças russas e elogiando o "heroísmo fantástico" dos soldados.

"O sucesso militar será alcançado quando as metas estabelecidas pelo comandante supremo forem alcançadas", disse Peskov, referindo, no entanto, que "os sucessos táticos também são muito importantes".

Esses sucessos "são conseguidos a um preço muito alto, o do heroísmo fantástico dos nossos soldados. Por isso, são mais um motivo para nos orgulharmos dos nossos rapazes, que não poupam as suas vidas nem a sua saúde", adiantou o porta-voz do Kremlin.

Caso se confirme, a conquista de Soledar representa a primeira vitória simbólica das forças russas depois de meses de triunfos do exército ucraniano.

Os combates na pequena cidade, com pouco mais de dez mil habitantes antes da guerra, tinham sido referidos por várias fontes como parte da tentativa russa de conquista de Bakhmut, situada a cerca de dez quilómetros.

Bakhmut é uma cidade de importância estratégica questionável, mas assumiu valor simbólico à medida que ambos os lados lutam pelo controlo há meses. Situada em Donetsk, no Donbass (leste da Ucrânia), é uma das quatro regiões que a Rússia disse ter anexado no final de setembro do ano passado, juntamente com Lugansk, Kherson e Zaporijia, depois de ter feito o mesmo com a Crimeia em 2014.

Estas anexações não são reconhecidas pela Ucrânia, nem pela generalidade da comunidade internacional.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas, 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.952 civis mortos e 11.144 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Notícia atualizada às 10:39

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