Grupo armado mata quatro pessoas em Moçambique

Suspeita-se que os agressores façam parte do mesmo grupo de rebeldes que aterrorizam Cabo Delgado desde 2017

Um grupo armado desconhecido matou quatro pessoas, incluindo uma criança, no sábado e domingo durante novos ataques ao distrito de Ancuabe, no norte de Moçambique, anunciaram fontes locais.

O distrito é um dos que se julgavam seguros, na faixa sul da província de Cabo Delgado, até às investidas registadas desde início do mês, provocando uma nova vaga de cerca de 17 mil deslocados e com impacto na atividade económica da região.

Suspeita-se que os agressores façam parte dos mesmos grupos rebeldes que desde 2017 aterrorizam Cabo Delgado, mas que até agora estavam mais perto da fronteira com a Tanzânia e em redor dos estaleiros dos projetos de gás - zona entretanto alvo de uma ofensiva militar que fez com que alguns deambulem pelo mato.

"Eles entraram por volta das 21:00 [20:00 em Lisboa] e começaram a disparar. Mataram duas pessoas, uma delas criança", disse um residente da aldeia de Nikwita que, entretanto, fugiu para a sede do distrito de Chiúre.

Uma outra fonte local disse que após a incursão em Nikwita, os insurgentes entraram na comunidade de Nanoa, a poucos quilómetros da sede distrital de Ancuabe.

"Chegaram silenciosos a Nanoa e depois começaram a disparar. Mataram duas pessoas", afirmou, enquanto procurava abrigo na sede distrital de Ancuabe.

Uma terceira fonte acrescentou que, na noite de domingo, o mesmo grupo queimou residências na aldeia de Macaia, junto de Mbonge, também a poucos quilómetros da sede distrital de Ancuabe.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, visitou posições militares em Ancuabe, na quinta-feira, e disse que os grupos rebeldes estão enfraquecidos e em debandada, fazendo ataques enquanto fogem em busca de mantimentos.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Moçambique admitiu na sexta-feira que a insegurança está a impedir a assistência humanitária aos deslocados dos recentes ataques.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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