Governo israelita investe na minoria árabe

São 8 mil milhões de euros para ajudar a reduzir o fosso da desigualdade entre árabes e judeus israelitas. Combate ao crime também contemplado.

O governo de coligação de Israel aprovou na segunda-feira um plano para melhorar nos próximos cinco anos as condições socioeconómicas da minoria árabe do país, a qual há muito se queixa da marginalização e está a viver uma onda de criminalidade sem precedentes.

O plano foi anunciado antes de 14 de novembro, data-limite para a coligação governamental liderada pelo primeiro-ministro Naftali Bennett, que sucedeu a Benjamin Netanyahu em junho, para aprovar o Orçamento e evitar a convocação de eleições. O plano do governo israelita prevê investimentos de 30 mil milhões de shequels (8,02 mil milhões de euros) durante cinco anos para financiar diversas iniciativas destinadas a reduzir o fosso entre a comunidade árabe e a maioria judaica no país. Em 2015, Netanyahu anunciou um investimento que representava um terço do agora apresentado, e só 62% foi de facto alocado, segundo o Times of Israel, citando as estatísticas oficiais.

Os fundos destinar-se-ão ao "desenvolvimento do emprego, ao reforço dos municípios, à melhoria dos serviços de saúde, ao incentivo à integração nas profissões de alta tecnologia e tecnológicas", entre outras áreas, disse o gabinete do primeiro-ministro. Bennett, um nacionalista de direita, lidera uma coligação ideologicamente díspar de oito partidos, entre os quais o partido islamista Raam, a primeira formação árabe a ter assento num governo israelita.

Representando quase 20% da população, os cidadãos árabes de Israel são os descendentes dos palestinianos que permaneceram nas suas terras depois da criação do Estado hebreu em 1948. Esta minoria possui passaporte israelita e tem direito de voto, mas a sua taxa de desemprego supera a média nacional e afirma ser vítima de discriminação, em especial no acesso à habitação, educação e qualidade de serviços públicos.

O governo israelita também aprovou um investimento de 670 milhões de euros em cinco anos para lutar contra o crime e a violência nas cidades árabes israelitas, que registam índice de homicídio e casos de extorsão sem precedentes. O plano inclui financiamento para desmantelar organizações criminosas, reduzir a posse de armas ilegais e reforçar a "resistência da comunidade árabe em lidar com a violência", disse a declaração do primeiro-ministro. Na sexta-feira, milhares de cidadãos árabes protestaram em Umm al-Fahm para reclamar a intervenção do Estado. Desde o início do ano, 102 homicídios foram cometidos na comunidade árabe de Israel.

O líder do Raam, Mansour Abbas, elogiou o plano de financiamento, tendo explicado que o programa tinha sido uma condição para concordar em apoiar o governo de Bennett. Abbas elogiou também o plano para combater o crime crescente na comunidade árabe. "A nossa sociedade merece que façamos tudo o que pudermos para proporcionar segurança aos nossos filhos e filhas", escreveu Abbas.

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