Misuzulu, o novo rei dos zulus já está no trono

Misuzulu Sinqobile kaZwelithini, de 46 anos - cujo nome significa "fortalecer os zulus" - foi designado herdeiro no testamento da sua mãe, a falecida rainha regente Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu.

O novo rei do povo Zulu, o maior grupo étnico na África do Sul, "já está no trono", anunciou este sábado (8) o primeiro-ministro tradicional do reino amaZulu, o príncipe Mangosuthu Buthelezi.

O até agora príncipe Misuzulu Sinqobile kaZwelithini foi nomeado rei do povo Zulu para suceder ao seu pai, Goodwill Zwelithini kaBhekuzulu, que morreu em março, e à rainha regente, sua mãe, que morreu em finais de abril.

Mangosuthu Buthelezi de 92 anos, salientou que "qualquer membro da família real que deseje agora contestar o testamento da falecida rainha regente [Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu, que morreu no final de abril], pode fazê-lo", acrescentando que "no que concerne à família e ao povo Zulu, o rei já está no trono" e que "há formalidades que devem ser agora seguidas pelo Governo".

O reconhecimento oficial do novo monarca Zulu pelo Governo sul-africano será feito através do Ministério dos Assuntos Tradicionais e Governação Cooperativa, que subsidia, com mais de 65 milhões de rands por ano (3,7 milhões de euros), a Casa Real do maior grupo étnico no país.

O primeiro-ministro tradicional dos Zulus e líder soberano do clã Buthelezi disse também à imprensa que a família real zulu "jurou" lealdade ao novo monarca, após uma reunião em Kwanongoma, na província do KwaZulu-Natal.

De acordo com Buthelezi, a reunião foi convocada pela rainha Mayvis MaZungu, matriarca sénior da família, acrescentando que o príncipe Misuzulu também retornou ao palácio real de Kwakhangemankengane, em Kwanongoma.

Misuzulu Sinqobile kaZwelithini, de 46 anos, foi retirado do palácio na noite de sexta-feira por razões de segurança, ao ser nomeado rei na leitura do testamento da sua mãe.

A morte do rei Goodwill Zwelithini, em 12 março, de doença associada à diabetes e à covid-19, e da rainha Mantfombi, que teve sete filhos do monarca zulu, acentuou as divisões no seio da família real zulu em torno da herança do monarca, que deixou seis esposas e 28 filhos.

Numa ação judicial, a primeira esposa do rei, Sibongile Dlamini, contesta que tenham direito a 50% dos bens do rei, frisando que o testamento do monarca ignorou esse aspeto, apesar de ser casada em comunhão de bens.

Outra ação judicial, apresentada pelas filhas da primeira rainha, argumenta que a assinatura do rei no testamento terá sido "forjada", exigindo a sua revisão.

Embora o Rei dos Zulus não tenha poder executivo, o carismático Goodwill Zwelithini liderou pacificamente os mais 11,5 milhões de Zulus, um quinto da população da África do Sul.

Goodwill Zwelithini e Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu visitaram a Madeira e estiveram em Lisboa a convite do herdeiro da coroa portuguesa, Duarte Pio, duque de Bragança, em abril de 1992, tendo sido recebidos também pelo então Presidente da República, Mário Soares.

Voltaram a estar em Portugal, em maio de 1995, no casamento do duque de Bragança, no Mosteiro dos Jerónimos.

atualizado às 21.00

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG