Feijóo propõe seis pactos de Estado e eleições em dois anos. Sánchez, sem surpresa, rejeita

Líder do PP lamenta que socialista prefira negociar com independentistas, mas diz que não desiste.
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O líder do Partido Popular (PP) espanhol, Alberto Núñez Feijóo, saiu da reunião de menos de uma hora com Pedro Sánchez como entrou: com um "não" dos socialistas à sua investidura. De nada serviram os seis pactos de Estado que propôs - sobre organização territorial, regeneração democrática, Estado-Providência, saneamento económico, famílias e água -, nem a ideia de ter um mandato de apenas dois anos para os implementar. A porta-voz do PSOE, Pilar Alegría, disse que o PP "passou de querer revogar o sanchismo a rogar ao sanchismo".

Feijóo venceu as eleições de 23 de julho e foi nomeado pelo rei Felipe VI para ir à investidura, apesar de não ter o apoio para garantir a maioria. O debate está marcado para 26 e 27 de setembro e o líder do PP está a quatro votos do objetivo, deparando-se com todas as portas fechadas. Sánchez também ainda não tem os números necessários, mas está disponível a negociar com os independentistas catalães para os conseguir, o que Feijóo critica. Sánchez prefere "acordos dom o independentismo" em vez de um pacto nacional, disse.

"De momento encontrei-me com o "não é não", de momento, porque não vou desistir dos meus esforços para oferecer acordos e pactos", afirmou Feijóo em conferência de imprensa, após o encontro no Congresso com Sánchez. O líder do PP explicou que a sua proposta visava uma "alternativa" para proteger o Estado espanhol das exigências "inconstitucionais e discriminatórias" do independentismo que surge "encorajado" diante do facto que o seu voto é essencial para o PSOE poder ser governo.

Feijóo lembrou que os partidos independentistas representam menos de 6% dos votos, ainda assim Sánchez prefere negociar "amnistias, referendos e grupos parlamentares que não cumprem as regras" a deixar o partido mais votado governar, como sempre aconteceu na democracia espanhola nos últimos 45 anos. O líder do PP considera "incompreensível" que menos de 6% da população, cuja pretensão é "acabar com o Estado", possa condicionar a governabilidade de 94% da população.

Do lado socialista, e depois da reunião da Comissão Executiva Federal, a porta-voz reiterou que o PSOE não irá apoiar Feijóo, considerando que com a sua proposta ele só quer "salvar a pele". Aos jornalistas, Pilar Alegría disse que "se alguém tinha dúvidas de que com esta investidura falhada [Feijóo] procura a sua sobrevivência política, com esta proposta tirou todas as dúvidas".

Os socialistas alegam que o líder do PP não tem "credibilidade" para propor pactos, já que têm bloqueado há "1727 dias" a renovação do poder judicial. Sánchez levou à reunião com Feijóo precisamente o compromisso de, independentemente de quem for eleito primeiro-ministro, de se renovar o Conselho Geral do Poder Judicial até dezembro. Segundo Pilar Alegria, o líder do PP rejeitou essa proposta.

A porta-voz indicou ainda que o primeiro-ministro interino pediu a Feijóo "máximo respeito" pelo PSOE, criticando os "apelos contínuos aos trânsfugas". Afinal, o PP só precisa de quatro votos para conseguir a investidura.

susana.f.salvador@dn.pt

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