Exército israelita efetua "operações direcionadas" em Gaza

O exército israelita afetou "uma operação dirigida com tanques no norte da Faixa de Gaza, no âmbito dos preparativos para as próximas etapas da batalha".
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Israel efetuou "operações direcionadas" com tanques no norte da Faixa de Gaza, na noite de quarta-feira, informou esta quinta-feira o exército israelita.

"Durante a noite, o exército efetuou uma operação dirigida com tanques no norte da Faixa de Gaza, no âmbito dos preparativos para as próximas etapas da batalha", de acordo com um comunicado do porta-voz militar.

Os soldados "abandonaram a zona" no final da operação, acrescentou.

Em 7 de outubro, o movimento islamita Hamas lançou um ataque surpresa contra o sul de Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados, fazendo duas centenas de reféns.

Em resposta, Israel declarou guerra ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e é classificado como terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, bombardeando várias infraestruturas do grupo na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que impôs um cerco total ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.

O conflito já provocou milhares de mortos e feridos, entre militares e civis, nos dois territórios.

Israel e o grupo islamita Hamas reafirmaram esta quinta-feira promessas de vitória na guerra que travam desde há cerca de três semanas e que já provocou milhares de mortos dos dois lados.

O exército israelita disse que as operações contra a Faixa de Gaza visam erradicar o Hamas e que, "uma vez terminada a guerra, não haverá qualquer ameaça militar" do enclave palestiniano.

Um porta-voz militar, Jonathan Conricus, disse numa publicação das Forças de Defesa de Israel nas redes sociais que as comunidades israelitas em torno da Faixa de Gaza "não podem viver" com a ameaça do Hamas por perto.

"Se não erradicarmos o Hamas, este perigo perdurará e teremos de lidar com ele novamente no futuro", argumentou, citado pela agência espanhola Europa Press.

O porta-voz disse que as forças israelitas "lidarão com o Hamas, de forma completa e adequada".

"No final da guerra, (...) não veremos cenas de civis israelitas indefesos a serem mortos, queimados, violados e mutilados pelos terroristas", disse.

"Aqueles que não compreendem o mal que enfrentamos não compreendem por que estamos a fazer o que estamos a fazer", admitiu, face a críticas de que Israel está a punir o povo palestiniano pelo ataque do Hamas.

Disse também que o exército israelita irá, "a dada altura", tomar a decisão de "passar à fase seguinte das operações", numa aparente referência a uma ofensiva terrestre em grande escala.

Os comandos do Hamas também raptaram duas centenas de israelitas e estrangeiros que mantêm como reféns na Faixa de Gaza, o enclave palestiniano com mais de dois milhões de habitantes que controlam desde 2007.

Israel reagiu ao ataque com uma declaração de guerra ao Hamas e o cerco e bombardeamento constante da Faixa de Gaza, que o grupo islamita disse ter causado mais de 6.500 mortos.

Do lado do Hamas, o "número dois" da ala política do movimento, Saleh al-Arouri, prometeu que Israel sofrerá "uma derrota sem precedentes" se invadir a Faixa de Gaza.

"Se o inimigo entrar por terra, haverá uma nova e gloriosa página para o nosso povo, e será uma derrota sem precedentes para a ocupação [Israel] na história do conflito", afirmou a um canal da milícia xiita libanesa Hezbollah.

Al-Arouri disse que "o Hezbollah está a colaborar a todos os níveis militares e políticos" no que descreveu como "uma epopeia heroica de resistência no Líbano", outro foco de conflito com Israel.

"Esta batalha é a sua batalha [do Hezbollah], temos um objetivo e um destino comuns, (...) estamos em constante comunicação e coordenação nesta batalha", afirmou.

Al-Arouri referiu-se também aos reféns do Hamas na Faixa de Gaza, afirmando que os estrangeiros são convidados do grupo, mas que os israelitas "serão trocados" por prisioneiros palestinianos.

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