EUA só reconhecerão governo dos talibãs se respeitar mulheres e rejeitar terrorismo

O enviado norte-americano Zalmay Khalilzad encontra-se ainda no Qatar, onde as conversações com os talibãs se arrastam há vários meses, e que os responsáveis norte-americanos ainda estão a falar com os insurgentes no país.

O Departamento de Estado norte-americano disse esta segunda-feira que os EUA só reconheceriam um governo liderado pelos talibãs no Afeganistão se este respeitasse os direitos das mulheres e rejeitasse os terroristas.

"Quanto à nossa posição sobre qualquer futuro governo no Afeganistão, dependerá do comportamento desse governo. Dependerá do comportamento dos talibãs", disse aos jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, numa conferência de imprensa.

"Um futuro governo afegão que preserve os direitos básicos do seu povo (...) incluindo metade da sua população" - as suas mulheres e raparigas - e "que não proporciona abrigo aos terroristas", seria, acrescentou um governo com o qual Washington "poderia trabalhar".

O porta-voz adiantou que o enviado norte-americano Zalmay Khalilzad ainda se encontra no Qatar, onde as conversações com os talibãs se arrastam há vários meses, e que os responsáveis norte-americanos ainda estão a falar com os insurgentes no país.

Joe Biden disse tabém, num discurso à nação, que o país deu "todas as opções" ao exército afegão para combater os talibãs e defendeu que as forças dos EUA não devem morrer numa guerra onde "as forças afegãs não têm vontade de lutar".

"Demos-lhes todas as opções para determinar o seu próprio futuro", afirmou Joe Biden num discurso na Casa Branca, acrescentando que "as forças dos EUA não podem, nem devem, combater uma guerra e morrer numa guerra em que as forças afegãs não têm a vontade de lutar por si próprias".

O Presidente norte-americano salientou também que os adversários internacionais dos Estados Unidos, liderados pela China e Rússia, teriam "amado" que os americanos permanecessem atolados no Afeganistão.

Joe Biden "defendeu fortemente" a sua decisão de retirar as tropas norte-americanas do Afeganistão, apesar da tomada do poder pelos talibãs em Cabul.

"Após 20 anos, aprendi relutantemente que nunca há uma boa altura para retirar as forças dos EUA", disse o Presidente dos EUA, num discurso à nação.

"A verdade é que tudo isto aconteceu mais depressa do que esperávamos", admitiu na sua declaração, feita na Casa Branca.

O Presidente dos EUA, Joe Biden, avisou ainda os talibãs para não interferirem com o processo de evacuação organizado pelos EUA no Afeganistão, ameaçando com uma "força devastadora, se necessário".

Porque a resposta a um ataque será "rápida e poderosa", afirmou Joe Biden na declaração, em que prometeu defender os cidadãos dos EUA com "força devastadora, se necessário".

Os talibãs conquistaram Cabul no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Usama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a "vida, propriedade e honra" vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, abandonou o país no domingo.

Milhares de afegãos, em Cabul, tentam agora fugir do país e muitos dirigiram-se para o aeroporto internacional onde a situação é caótica.

A maioria dos países no Conselho de Segurança expressou hoje a sua profunda preocupação com a violação dos direitos humanos no Afeganistão e o medo de uma eventual ascensão do terrorismo no país com a subida dos talibãs ao poder.

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