A representação legal do Governo norte-americano defendeu esta quarta-feira a "necessidade" de avaliar a saúde mental do fundador do WikiLeaks Julian Assange, cuja possível extradição para os Estados Unidos da América (EUA) está a ser analisada no Supremo Tribunal britânico..A alta instância judicial britânica está a realizar esta quarta-feira uma audiência preliminar relacionada com o recurso apresentado pelas autoridades norte-americanas após o Tribunal Criminal de Old Bailey (em Londres) ter rejeitado, em janeiro passado, o pedido de extradição de Assange para os EUA, que pretendem julgá-lo por espionagem após a divulgação de centenas de milhares de documentos confidenciais..Na altura, a decisão foi justificada com o frágil estado da saúde mental do fundador do portal WikiLeaks, tem sido argumentado que o australiano apresentava um risco de cometer suicídio caso fosse extraditado e julgado nos EUA..A advogada que representa as autoridades dos EUA, Clair Dobbin, expôs hoje alguns dos argumentos gerais sobre os quais se irá fundamentar o processo judicial do recurso, cuja data de início ainda não foi definida..A causídica referiu que parte do recurso incidirá sobre o facto de que a lei exige que uma pessoa esteja muito doente, em risco de suicídio, para evitar uma decisão judicial específica, que no caso concreto de Assange seria a sua extradição para solo norte-americano.."Parte do recurso será [provar] que Assange não tinha uma doença mental que estivesse" perto do suicídio, reforçou a advogada..A justiça norte-americana quer julgar o australiano por este ter divulgado, desde 2010, mais de 700.000 documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas dos EUA, principalmente no Iraque e no Afeganistão..Julian Assange é acusado pela justiça dos EUA de 18 crimes, incluindo espionagem, arriscando até 175 anos de prisão caso seja considerado culpado..O australiano permanece detido na prisão de alta segurança londrina de Belmarsh (no sudeste da capital britânica), uma vez que a justiça britânica rejeitou o seu pedido de liberdade condicional enquanto o processo de recurso das autoridades norte-americanas está a decorrer..Em declarações feitas hoje no exterior do Supremo Tribunal britânico, a companheira de Julian Assange, Stella Moris, acusou o Governo norte-americano de "prolongar arbitrariamente" o encarceramento do ativista, jornalista e programador australiano.."O Governo norte-americano está a explorar acordos de extradição injustos entre os EUA e o Reino Unido para prolongar arbitrariamente o seu encarceramento, a prisão de um homem inocente acusado de praticar jornalismo", declarou Moris, antes de entrar no edifício da alta instância..Também alertou que a situação do jornalista, atualmente com 50 anos, é "cada vez mais desesperada".."Julian ganhou o caso contra o Governo dos EUA há sete meses, mas ainda está preso na prisão de Belmarsh: o que é isto senão um castigo?", prosseguiu Moris, que tem dois filhos com o fundador do WikiLeaks..Cerca de 100 pessoas, segundo as agências internacionais, concentraram-se hoje junto do edifício do Supremo Tribunal britânico, no centro de Londres, para defender Assange perante um processo que classificam como uma disputa entre "liberdade" e "mentiras", bem como para criticar o Presidente norte-americano, Joe Biden, por querer "aprisionar a liberdade de imprensa"..Entre os manifestantes estava o ex-líder do Partido Trabalhista britânico Jeremy Corbyn, que expressou o seu apoio a Julian Assange e ao seu trabalho, que revelou, segundo afirmou, "as verdades sobre a prisão de Guantánamo [em território norte-americano em Cuba], a guerra do Iraque e a tomada de decisões por parte das Forças Armadas dos EUA".."Temos um primeiro-ministro que é jornalista [Boris Johnson]. O próprio deveria compreender a importância do caso (...) e deveria certificar-se de que dizemos com veemência ao Governo dos EUA para retirar as acusações e libertar Assange", frisou Jeremy Corbyn, em declarações aos jornalistas..O fundador do WikiLeaks esteve refugiado durante sete anos na Embaixada do Equador em Londres, de 2012 até abril de 2019, quando as autoridades equatorianas decidiram retirar o direito de asilo concedido e as autoridades britânicas o detiveram.