Embaixadora da UE deixa Venezuela na terça-feira

A embaixadora da União Europeia na Venezuela, Isabel Brilhante Pedrosa, vai sair do país na terça-feira, informou à Lusa fonte diplomática europeia.

Isabel Brilhante Pedrosa foi declarada persona non grata pelo governo do presidente Nicolás Maduro e à diplomata portuguesa foram dadas, inicialmente, 72 horas para deixar a Venezuela.

Na quarta-feira, Caracas decidiu expulsar a embaixadora em retaliação a uma série de sanções decretadas pela União Europeia contra 19 funcionários do executivo venezuelano.

Em resposta à decisão de Caraca, Conselho Europeu declarou na quinta-feira persona non grata a representante da Venezuela na União Europeia, Claudia Salerno.
"Esta é uma resposta à decisão do governo venezuelano de declarar persona non grata a chefe da missão da UE na Venezuela", informou o Conselho Europeu em nota oficial.

Os 27 consideraram a decisão venezuelana injustificada e "contrária ao objetivo da UE de desenvolver relações e construir vínculos em países terceiros". Foi o chefe da diplomacia europeia, o espanhol Josep Borrell, quem propôs a decisão de adotar medida equivalente contra a representante da Venezuela, informava a nota.

A UE, porém, não pode expulsar Salerno do território europeu, já que a decisão cabe exclusivamente ao país hóspede, explicou em julho de 2020 a diplomacia europeia após um embate político similar com Caracas.

Assim, a nota não faz qualquer menção à expulsão de Salerno nem se houve algum tipo de anúncio formal à representação diplomática antes da publicação do comunicado.

"Além de ser a representante da Venezuela na UE, Salerno é também credenciada como embaixadora do país na Bélgica e em Luxemburgo.

A nova escalada de tensões entre Bruxelas e Caracas surgiu após os chanceleres europeus decidirem na segunda-feira adicionar 19 funcionários venezuelanos à lista de pessoas sancionadas por "minar a democracia". Com a medida, o número de funcionários venezuelanos sancionados pela UE subiu para 55.

Esta é a segunda vez que a Venezuela declara a representante da UE em Caracas, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, persona non grata. Em maio do ano passado, Nicolás Maduro ordenou a sua expulsão, dando-lhe 72 horas para abandonar o país, mas acabou por chegar a acordo com Bruxelas e pediu uma mudança de rumo nas relações.

A UE não reconhece os resultados das eleições legislativas realizadas na Venezuela em dezembro e, portanto, não conhece a legitimidade da Assembleia Nacional que surgiu dessas eleições, e que agora controla o partido no poder.

Em 2020, Borrell chegou a enviar emissários a Caracas para negociar o adiamento das eleições legislativas em alguns meses, para permitir que a UE enviasse uma missão de observação eleitoral. No entanto, o esforço não rendeu frutos e as eleições ocorreram, com o boicote de parte significativa da oposição venezuelana. Para os Estados Unidos, a decisão de Caracas só prejudica o próprio regime venezuelano, cujo governo não é reconhecido por Washington. "Tudo o que essa ação faz é isolar o regime de Maduro", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG