Durante a noite de segunda para terça-feira, a Ucrânia lançou durante um ataque de grande envergadura contra a Rússia que envolveu 337 drones, de que resultaram três mortos. Mas se este foi o maior ataque ucraniano em território russo desde a invasão da Ucrânia pelas forças russas, a 24 de fevereiro de 2022, está longe de ser o primeiro. Sendo preferencialmente dirigidos contra alvos militares, da indústria de armamento ou energética, estes ataques foram na sua maioria realizados com recurso a drones. Até agora, as autoridades ucranianas reconheceram a autoria de alguns destes ataques em território russo, tendo negado a maior parte deles, mas outros foram reivindicados ou atribuídos a ativistas anti-Rússia dentro da própria Rússia e também a russos que se opõem à guerra. Nos últimos três anos de conflito, a Ucrânia também realizou ataques transfronteiriços sobretudo nas regiões russas de Belgorod, Kursk e Bryansk. E em agosto de 2024, as forças armadas ucranianas lançaram uma ofensiva contra o oblast de Kursk, conquistando mais de 120 km2 de território russo. Mas o avanço foi rapidamente travado pelas forças russas, que terão entretanto recuperado cerca de metade desse território. Logo três dias depois da invasão russa, mísseis que seriam ucranianos atingiram a base aérea de Millerovo, no oblast de Rostov, na Rússia. E a 29 de março de 2022, vários depósitos de combustível foram destruídos por mísseis lançados por dois helicópteros Mi-24. Moscovo culpou a Ucrânia, Kiev negou e acusou, por sua vez, as autoridades de Moscovo.Depois de vários incidentes, a 3 de julho de 2022, fortes explosões fazem três mortos em Belgorod, causando danos em 39 casas e 11 prédios. O MInistério da Defesa russa culpa os “nacionalistas ucranianos” pelo lançamento de três mísseis Totchka-U e pelo ataque de dois drones Tupolev Tu-413, que estariam a caminho de Kursk. Em dezembro do mesmo ano, duas bases aéreas russas são alvo de ataques de drones, destruindo duas bombardeiros Tu-95. Mas é a 3 de maio que um ataque também com drones atinge o próprio Kremlin, em Moscovo. Ambos os aparelhos terão sido abatidos e o presidente Vladimir Putin não se encontrava no edifício na altura do ataque, que não fez vítimas nem danos. Mais uma vez a Rússia acusou a Ucrânia, que negou a autoria do ataque. Da Finlândia, onde estava em visita, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantiu: “Não atacamos Putin nem Moscovo. Batemo-nos pelo nosso território. Defendemos as nossas aldeias e cidades”. O dia 30 de dezembro de 2023 ficaria marcado por ataques contra Belgorod, em resposta ao bombardeamento de cidades ucranianas pela aviação russa. O Kremlin anunciou ter abatido 32 drones e 13 mísseis que disseram ter sido enviados pelos ucranianos. Segundo o governador do oblast de Briansk uma criança terá morrido. A Ucrânia atribuiu o ataque aos russos, mas Moscovo culpou Kiev por este “ataque terrorista”. O ano de 2024 começa com ataques ucranianos - sempre com drones - contra refinarias russas, algumas a centenas de quilómetros da fronteira. Já o início de 2025 ficou marcado por uma explosão num edifício em Moscovo, que matou duas pessoas e feriu outras três. Entre as vítimas mortais estava Armen Sarkissian, um dirigente pró-russo do Donbass, que seria o alvo do ataque. Nos últimos três anos, foram vários os assassínios de personalidades russas a serem atribuídos por Moscovo aos ucranianos. Logo em agosto de 2022, a cientista política, ativista e jornalista ultranacionalista Darya Dugina, filha do filósofo político de extrema-direita Aleksandr Dugin, que partilhava as posições políticas e o apoio a Putin do pai, foi morta por uma bomba colocada no seu carro nos arredores de Moscovo. Em abril do ano seguinte foi a vez do blogger militar pró-guerra Vladen Tatarsky ser morto na explosão de uma bomba num café em São Petersburgo. O engenho explosivo estava dentro de uma estatueta que lhe foi dada como presente. Mais uma vez as autoridades russas culparam a Ucrânia, apesar da detenção de uma cidadã russa pelo crime. Kiev negou. Em novembro de 2023, Oleksandr Slisarenko, o líder líder da administração de Kharkov, nomeado por Moscovo, foi morto na explosão do seu carro em Belgorod - um ataque que o SBU reivindicou. O serviço de segurança da Ucrânia reivindicou também o assassínio do general russo Igor Kirillov, a 17 de dezembro de 2024, numa explosão em Moscovo