Draghi apela à reconstrução de Itália no seio de uma Europa "mais integrada"

Mario Draghi, que sucedeu no sábado a Giuseppe Conte, assume as rédeas do país numa situação muito difícil.

O novo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, apelou esta quarta-feira à reconstrução do país, duramente atingido por uma crise sanitária e económica, no seio de uma "União Europeia mais integrada".

"Como os governos do período do pós-guerra temos a responsabilidade de lançar uma Nova Reconstrução", afirmou durante a apresentação do seu programa de Governo ao parlamento.

"É esta a nossa missão enquanto italianos: deixar um país melhor e mais justo aos nossos filhos e netos", adiantou.

Face a "uma emergência sem precedentes", Mario Draghi pediu às forças políticas "um caminho de unidade e compromisso comum com determinação e rapidez".

Mario Draghi, que sucedeu no sábado a Giuseppe Conte, assume as rédeas do país numa situação muito difícil: a Itália, que se aproxima do patamar dos 100.000 mortos devido à pandemia de covid-19, registou em 2020 uma das piores quedas do produto interno bruto (PIB) da zona euro (-8,9%).

O ex-presidente do Banco Central Europeu pediu uma "União Europeia mais integrada que conduzirá a um orçamento público comum, capaz de apoiar os Estados membros durante os períodos de recessão", proclamando "a irreversibilidade da escolha do euro".

"Sem Itália, não há Europa. Mas fora da Europa há menos Itália", adiantou.

Draghi, que lidera uma coligação heterodoxa que vai da esquerda à extrema-direita do nacionalista Matteo Salvini, afirmou ainda a sua vontade de "reforçar" as relações "estratégicas" com a França e a Alemanha.

A terceira economia da zone euro conta com os mais de 200 mil milhões de euros do plano de recuperação europeu, cujo pagamento depende da apresentação em Bruxelas, no final de abril, de um plano detalhado da sua aplicação, uma das missões do novo governo.

"O principal dever a que todos somos chamados, e eu em primeiro lugar enquanto chefe do governo, é combater a pandemia por todos os meios e salvar a vida dos nossos concidadãos", afirmou Draghi, numa altura em que a campanha de vacinação em Itália regista atrasos graves devido a problemas de abastecimento.

Até agora, menos de 1,3 milhões de pessoas numa população de 60 milhões recebeu as duas doses necessárias para a imunização.

O primeiro-ministro disse ainda que os recursos do plano de recuperação europeu devem ser utilizados para "melhorar o potencial de crescimento da (...) economia" do país, indicando como prioridades "a inovação, digitalização, competitividade e cultura, transição ecológica, infraestruturas para a mobilidade sustentável, formação e investigação, igualdade de oportunidades, igualdade de género, igualdade entre as gerações e os territórios, saúde".

O Senado deve pronunciar-se sobre o programa de Draghi com um voto de confiança previsto para hoje, enquanto a Câmara dos Deputados votará na quinta-feira. Com uma maioria parlamentar ampla, deve ser fácil obter a "luz verde" do parlamento.

Segundo as estimativas do principal diário italiano, Il Corriere della Sera, Mario Draghi deve conseguir o voto favorável de cerca de 260 senadores em 315 e de cerca de 550 deputados em 630.

Após o pedido que lhe foi feito pelo Presidente da República, Sergio Mattarella, a 3 de fevereiro, Mario Draghi formou uma maioria que vai do Partido Democrata (PD, centro) à Liga (extrema-direita), passando pelo Movimento 5 Estrelas (M5S, anti-sistema até chegar ao poder).

Os Irmãos de Itália (FDI, extrema-direita) de Giorgia Meloni, foi o único partido que anunciou que votará contra a moção de confiança ao Governo.

"Hoje a unidade não é uma opção, a unidade é um dever", insistiu Draghi.

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