Referendos em Donetsk e Lugansk sobre integração na Rússia começam na sexta-feira

As autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk decidiram acelerar a organização de referendos sobre a integração na Rússia, após a contraofensiva ucraniana ter recuperado território ao exército russo, anunciou o líder separatista de Donetsk, Denis Pushilin.

Os referendos sobre a integração na Federação Russa de Donbass e Lugansk vão ser realizados a partir de sexta-feira e decorrem até 27 de setembro, anunciaram esta terça-feira os líderes separatistas de ambas as regiões.

"O Conselho Popular decidiu marcar os dias do referendo para 23 de setembro a 27 de setembro", disse o oficial separatista Denis Miroshnichenko, citado pelo portal de notícias de Lugansk.

Nesta segunda-feira, o líder separatista de Donetsk propôs ao homólogo de Lugansk "unir esforços entre os chefes das repúblicas e os Parlamentos para elaborar os passos e as ações que permitam iniciar os preparativos para o referendo".

Denis Pushilin debateu com o seu homólogo de Lugansk, Leonid Pasechnik, a necessidade de "sincronizar" tanto a organização das consultas como as medidas de segurança para travar o avanço das forças ucranianas.

Por isso, apelou para que o referendo sobre a integração na federação russa decorra no mesmo dia em ambos os territórios, tal como aconteceu quando estalou a sublevação militar pró-russa, em 2014.

As câmaras públicas, órgãos consultivos de ambas as repúblicas separatistas, dirigiram-se esta segunda-feira aos seus líderes com o pedido para que a consulta seja realizada "com urgência".

"Hoje recebemos os pedidos das câmaras públicas. Isto não é mais do que o reflexo da opinião no nosso povo, algo que há muito que se respira no ar", afirmou Pushilin.

O pedido da câmara pública de Donetsk apela para que se apague de uma vez por todas "a fronteira inexistente" com a Rússia.

"Queremos que entre nós e a Ucrânia se encontre a fronteira da federação russa", disse o presidente da câmara, Alexandr Kogman.

No mesmo sentido, a câmara pública de Lugansk apelou para "a realização imediata de um referendo sobre o reconhecimento da República Popular de Lugansk como uma dependência da federação russa".

"Estamos convictos de que a iniciativa contará com o pleno apoio dos habitantes de Lugansk e que a entrada da federação russa não só constituirá um triunfo da justiça histórica, como também garantirá a segurança da república", aponta a petição.

Entretanto, os referendos foram agendados para entre os dias 23 e 27 de setembro.

As autoridades ucranianas em Lugansk dizem que as suas forças tomaram a cidade de Bilohorivka, na fronteira entre Lugansk e Donetsk.

Segundo os serviços secretos britânicos, qualquer perda substancial de território na região de Lugansk, cujo controlo a Rússia reivindicou no início de julho, prejudicaria a estratégia do Kremlin na Ucrânia.

A retirada russa da região de Kharkov, em 08 de setembro, foi acompanhada pelo avanço das tropas ucranianas no Donbass, que cruzaram o estratégico rio Oskil.

No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, descartou na sexta-feira uma alteração de estratégia no leste da Ucrânia, após o Kremlin negar também uma possível mobilização geral no seguimento das críticas de alguns políticos e líderes regionais sobre a falta de solados na frente de combate.

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