Dissidente cubano Guillermo Fariñas detido três dias antes de manifestação da oposição

O dissidente cubano Guillermo Fariñas foi detido na sexta-feira na cidade de Santa Clara, em Cuba, três dias antes de uma manifestação para exigir a libertação dos prisioneiros políticos, proibida pelo regime, disse a mãe do ativista.

O jornalista independente, Prémio Sakharov 2010 do Parlamento Europeu, foi detido e levado pela polícia na sexta-feira, contou a mãe do ativista à agência France-Presse (AFP).

"Prenderam-no hoje [sexta-feira], levaram-no por volta das 14:10", disse Alicia Hernandez à AFP, afirmando que o filho, com 59 anos, está atualmente a ser tratado com antibióticos a uma infeção urinária.

"Uma ambulância e duas patrulhas policiais vieram e levaram-no para o hospital Arnaldo Milián Castro", acrescentou. "Disseram-me que amanhã [sábado] uma procuradora irá visitá-lo para o interrogar, mas não sabemos por quê".

A detenção ocorreu horas antes de o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmar que os seus apoiantes estão "prontos para defender a revolução", face à manifestação planeada pela oposição para dia 15 de novembro, afirmando que os protestos são "uma estratégia do império [Estados Unidos] para tentar destruir a revolução".

Psicólogo de formação, jornalista e ativista dos direitos humanos, Guillermo Fariñas fez 25 greves de fome e esteve preso mais de 11 anos. É membro da União Patriótica de Cuba (Unpacu), a organização de oposição mais ativa na ilha, liderada por José Daniel Ferrer, actualmente na prisão.

Na sexta-feira, a administração norte-americana exortou o governo cubano a permitir a marcha cívica e a evitar o uso de violência, ameaçando com novas sanções caso haja repressão dos manifestantes.

A subsecretária do gabinete para os assuntos do hemisfério ocidental, Emily Mendrala, disse que o governo liderado por Joe Biden está a "monitorizar ativamente" a situação política em Cuba e pronto para reagir.

A responsável lembrou ainda as sanções aplicadas pelos Estados Unidos após a repressão aos protestos de 11 de julho, os maiores registados em várias décadas, e rejeitou as acusações de destabilização e ingerência.

Na quinta-feira, Yunior Garcia, o principal organizador da manifestação de 15 de novembro, anunciou a intenção de marchar sozinho no domingo numa avenida em Havana, em vez de na segunda-feira, como previsto no apelo à manifestação, para evitar qualquer violência.

O dramaturgo de 39 anos denunciou ter sido ameaçado pela polícia com a prisão se levasse a cabo a iniciativa.

Os promotores da manifestação mantiveram no entanto o apelo para a realização do evento, no dia 15 de novembro.

O apelo a participar no protesto ocorre num cenário de profunda crise económica, quatro meses após as históricas manifestações antigovernamentais de 11 de julho, quando milhares de cubanos saíram às ruas gritando "Liberdade" ou "Estamos com fome".

Essas manifestações resultaram numa morte, dezenas de feridos e na detenção de 1.175 pessoas, 612 das quais continuam presas, de acordo com a organização não-governamental (ONG) de direitos humanos Cubalex.

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