Dezenas de milhares de peregrinos judeus na Ucrânia apesar da guerra

Dezenas de milhares de judeus hassídicos começaram este domingo a reunir-se na cidade ucraniana de Uman para a sua peregrinação anual, apesar de as autoridades terem pedido que evitassem a viagem por causa da guerra.

Todos os anos, peregrinos judeus hassídicos dirigem-se a Uman desde todo o mundo para visitar o túmulo de uma das principais figuras do judaísmo hassídico e celebrar o Rosh Hashaná, o ano novo judaico.

A cidade ucraniana central de Uman está relativamente longe da linha de frente, mas as autoridades ucranianas e israelitas pediram aos fiéis que evitem as celebrações, que este ano ocorrem entre 25 e 27 de setembro.

Mas, apesar dos avisos, milhares de peregrinos ultraortodoxos vestidos com as tradicionais roupas pretas começaram já a reunir-se em Uman, comemorando nas ruas.

"Este é o dia mais importante do ano para nos ligarmos a Deus. E este é um ótimo lugar para fazer isso", disse um peregrino, Aaron Allen, à AFP.

Os peregrinos costumam citar um texto religioso do rabino Nachman, fundador de um movimento ultraortodoxo que morreu na cidade em 1810, no qual ele prometeu que "salvaria (os crentes) do inferno" se eles viessem visitar o seu túmulo durante o Rosh Hashaná. .

"Ouvimos sirenes, mas vindo de Israel estamos acostumados às sirenes, sabemos o que fazer. Sentimo-nos bastante seguros", disse Allen, um médico de 48 anos de Yad Binyamin.

A polícia montou um amplo perímetro para o acesso à área ao redor do túmulo, verificando as identidades e deixando passar apenas moradores e judeus hassídicos.

É proibido vender álcool, fogos de artifício, mas também armas de brinquedo durante as festividades em Uman, disse à AFP a porta-voz da polícia regional, Zoya Vovk. Um toque de recolher obrigatório entre 23h e as 5h locais também está em vigor.

Apesar das restrições, o santuário que abriga o túmulo fervilhava já com celebrações nas primeiras horas deste domingo. Peregrinos - apenas homens e rapazes - rezavam, pressionados contra as paredes e colunas brancas do local.

A polícia não divulgará o número exato de peregrinos até o final das festividades por medo de ataques da Rússia. "Entendemos que há uma invasão russa em grande escala da Ucrânia e que o inimigo está a monitorizar as informações", disse Zoya Vovk à AFP. "A única coisa que posso dizer é que dezenas de milhares (de peregrinos) já chegaram", acrescentou, no entanto.

A ONG Comunidade Judaica Unida da Ucrânia disse que foram mais de 23.000 os peregrinos que já chegaram a Uman. A cidade, no centro da Ucrânia, foi atingida várias vezes por ataques russos desde que a invasão começou em 24 de fevereiro.

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