Depois de Trump, Boris vê Biden como uma "lufada de ar fresco" 

O primeiro-ministro britânico reuniu-se com o presidente dos EUA na véspera da cimeira do G7 na Cornualha.

A relação entre o Reino Unido e Estados Unidos é de "importância estratégica" e o presidente norte-americano, Joe Biden, uma "lufada de ar fresco", afirmou esta quinta-feira o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, após um encontro bilateral antes da cimeira do G7.

"Não penso que seja um exagero dizer que que a relação entre o Reino Unido e os Estados Unidos (...) é de importância estratégia para a prosperidade, segurança do mundo, para todas as coisas em que acreditamos juntos: a democracia, direitos humanos, estado de direito", afirmou em Carbis Bay, na Cornualha, sudoeste de Inglaterra.

Boris Johnson disse que discutiram uma "grande variedade de assuntos" e que Biden disse que quer trabalhar em conjunto em questões como a desde segurança e a NATO ou as alterações climáticas.

"É uma lufada de ar fresco a quantidade de coisas que quer fazer em conjunto", acrescentou, em declarações após o encontro. Uma posição muito diferente da do antecessor, Donald Trump.

Sobre as divergências entre Londres e Bruxelas a propósito da aplicação na Irlanda do Norte do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, Johnson garantiu que não foi pressionado a resolver os problemas e manifestou-se otimista numa solução.

"Estados Unidos, Reino Unido e também a União Europeia querem proteger o acordo [de paz] de Belfast/ Sexta-feira Santa e manter equilíbrio do processo de paz", afirmou.

Por seu lado, Biden disse que a reunião foi "muito produtiva" na discussão de uma série de temas de cooperação, reafirmando a "relação especial" entre os dois países.

Questões de política externa, como o Afeganistão, China, Irão e Rússia foram abordadas, bem como a discussão de um futuro acordo de comércio entre o Reino Unido e EUA, adiantou o Governo britânico num comunicado.

Nova Carta do Atlântico

Os dois assinaram um documento com base nos compromissos e aspirações estabelecidos há 80 anos pelos antecessores Franklin D. Roosevelt e Winston Churchill na Carta do Atlântico e que resultou nas Nações Unidas e NATO.

O novo documento visa "aprofundar a cooperação em democracia e direitos humanos, defesa e segurança, ciência e inovação e prosperidade económica, com esforços conjuntos renovados para enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas, perda de biodiversidade e ameaças emergentes à saúde".

Segundo Biden, a Carta foi revista para incluir "desafios chave deste século".

Além de uma troca de presentes, os dois líderes foram acompanhados durante alguns momentos pelas respetivas esposas, Jill Biden e Carrie Johnson, na praia junto ao hotel onde se vai realizar a Cimeira do G7.

A primeira-dama dos EUA apareceu vestiu-se com um casaco com a palavra "LOVE" bordado na parte superior das costas, o que justificou como simbolizando o "amor" que ela e o Presidente trouxeram da América.

A cimeira do G7 decorre entre sexta-feira e domingo, juntando presencialmente pela primeira vez em dois anos dirigentes dos países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e da União Europeia.

Sob a presidência rotativa do Reino Unido, para esta edição foram convidados o Secretário-geral da ONU, António Guterres, e os líderes da Austrália, África do Sul, Coreia do Sul e Índia, mas este último vai intervir por videoconferência.

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