De Mao a Marte, a 'Longa Marcha' da China até ao primeiro taikonauta civil

A jornada espacial da China começou há mais de 60 anos e enviou, pela primeira vez, um civil ao espaço.
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A China enviou esta terça-feira à estação espacial Tiangong uma missão com três 'taikonautas' - os astronautas do país -, que inclui pela primeira vez um civil, uma nova etapa na conquista do espaço iniciada há mais de 60 anos pelo presidente Mao Tsé-Tung.

O trio de astronautas partiu a bordo de um foguetão pouco depois das 09:30 locais (01:30 em Lisboa) do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste do país, segundo a agência espacial chinesa responsável pelos voos espaciais tripulados (CMSA).

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A viagem insere-se na estratégia de enviar um astronauta chinês à Lua até 2030, um dos principais objetivos de um programa espacial no qual o país já investiu milhares de milhões de euros.

O comandante da missão, o veterano Jing Haipeng (56), realiza o seu quarto voo espacial e é acompanhado pelo engenheiro Zhu Yangzhu, e por Gui Haichao, professor e primeiro civil chinês no espaço, ambos com 36 anos.

Especialista em ciências e engenharia espaciais, Haichao será o responsável pelas experiências na estação e não vem das Forças Armadas, como sempre aconteceu até agora.

Representantes do programa espacial chinês garantiram na segunda-feira que a mudança de requisitos se deve "à nova fase em que entrou a estação espacial de Tiangong, durante a qual vai albergar um grande número de experiências científicas".

A estação irá acolher investigação sobre o cultivo de plantas, criação de peixes, testes de comportamento de fluidos em gravidade zero e estudos de células animais e vegetais, bem como a instalação do relógio atómico mais preciso de sempre.

Os três astronautas são os primeiros a chegar à Tiangong, onde irão passar os próximos cinco meses, depois da conclusão da construção da estação espacial chinesa, no final de 2022.

O chamado de Mao

Em 1957, a União Soviética coloca em órbita o primeiro satélite fabricado pelo homem, o Sputnik. O fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, faz então um apelo aos seus cidadãos: "Nós também fabricaremos satélites!"

A primeira etapa foi concretizada em 1970. A China lança o seu primeiro satélite, Dongfanghong-1 ("O Leste é Vermelho-1"), o nome de uma canção em homenagem a Mao, cuja melodia seria difundida por vários dias no espaço.

O foguete responsável por colocar o satélite em órbita chama-se "Longa Marcha", um nome que recorda a caminhada do Exército Vermelho que permitiu que Mao se afirmasse como líder do Partido Comunista chinês.

Primeiro homem

Em 2003, o país asiático envia o primeiro chinês ao espaço, o 'taikonauta' Yang Liwei, que dá 14 voltas na Terra num período de 21 horas.

Com esse voo, a China torna-se no terceiro país, depois de União Soviética e Estados Unidos, a enviar um ser humano ao espaço através dos seus próprios meios.

Módulos

Após um pedido do governo dos Estados Unidos, a China foi excluída deliberadamente do programa da Estação Espacial Internacional, uma cooperação que envolve americanos, russos, europeus, japoneses e canadianos. Com a medida, o país decide construir a sua própria estação.

Para isso, o país asiático lança primeiro um pequeno módulo espacial, Tiangong-1 ("Palácio Celestial 1"), que foi colocado em órbita em setembro de 2011, para realizar o treino dos taikonautas e também experiências médicos.

O Tiangong-1 deixa de funcionar em março de 2016. O laboratório era considerado uma etapa preliminar para a construção de uma estação espacial.

Em 2016, a China lança o seu segundo módulo espacial, Tiangong-2, onde os taikonautas realizaram acoplamentos técnicos.

Coelho lunar

Em 2013, o pequeno robô "Coelho de Jade" chega à Lua. O aparelho enfrentou problemas técnicos, mas foi reativado e explorou a superfície lunar durante 31 meses.

O gigante asiático pretende enviar astronautas à Lua em 2030 e construir uma base, de acordo com Agência Espacial de Voos Tripulados da China.

Lua e 'GPS' chinês

O programa espacial chinês sofre um revés em 2017 com o fracasso do lançamento do Longa Marcha 5, um equipamento crucial que permitiria levar as pesadas cargas necessárias para algumas missões.

Este contratempo leva a um atraso de três anos para a missão Chang'e 5. Executada apenas em 2020, a missão permite que os chineses enviem para a Terra amostras da superfície lunar, algo que não acontecia há 40 anos.

Em janeiro de 2019, a China obtém outro sucesso com um feito inédito à escala mundial: a aterragem de um robô, o "Coelho de Jade 2", na face oculta da Lua.

Em junho de 2020, o país asiático lança o último satélite para concluir o seu sistema de navegação Beidou, que compete com o GPS norte-americano.

Objetivo Marte

Em julho de 2020, a China envia a Marte a sonda "Tianwen-1", que transportava um robô com rodas e comandado remotamente chamado Zhurong, que pousou na superfície de Marte em maio de 2021.

Os cientistas também mencionam o sonho de enviar pessoas para Marte num horizonte distante.

Estação espacial

Em 2022 a China lança com sucesso o último módulo da sua estação espacial Tiangong.

A base deve orbitar a entre 400 e 450 quilómetros de distância da superfície terrestre por um período de 10 anos, com a ambição de manter a presença humana no espaço por um longo período.

Tiangong será tripulada sem interrupção, com missões rotativas de três pessoas.

A estação contém vários equipamentos científicos de vanguarda, incluindo "o primeiro sistema de relógio espacial atómico frio", segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Em princípio, a China não planeia usar a sua estação espacial para a cooperação internacional, mas as autoridades já disseram que estão abertas a colaborar com outros países.

A próxima missão para a Tiangong, a Shenzhou-17, está prevista para outubro.

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