Três curdos morreram e outros três ficaram feridos num tiroteio frente a um centro cultural desta comunidade em Paris, que terá sido perpetrado por um homem de 69 anos que já era conhecido das autoridades por ataques contra migrantes. A presença de um cordão policial no local, por causa da visita do ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, desencadeou entretanto confrontos entre um grupo de manifestantes curdos e as forças de segurança..Darmanin disse que o alvo do suspeito eram estrangeiros, não sendo claro se o sexagenário visava especificamente curdos. "Ainda não sabemos os seus motivos exatos", referiu, numa altura em que já surgiam informações sobre alegadas ligações do suspeito à extrema-direita ou sobre um suposto ataque "político" ordenado pela Turquia - que considera o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) um grupo terrorista, tal como os EUA ou a União Europeia..A visita do ministro desencadeou confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes curdos - alguns dos quais gritavam palavras de ordem de apoio ao PKK. Os manifestantes tentaram romper o cordão policial, além de terem atirado objetos contra os agentes, incendiado caixotes do lixo e vandalizado vários veículos. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo, tendo pelo menos cinco agentes ficado feridos. Cinco pessoas foram detidas.."Os curdos de França foram alvo de um ataque odioso no coração de Paris", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, no Twitter, enviando os seus pensamentos para as vítimas e as famílias. Dois homens e uma mulher morreram e, dos três feridos, um estava esta sexta-feira nos cuidados intensivos e os outros dois tinham ferimentos graves. O presidente agradeceu também às forças de segurança "pela sua coragem e sangue frio" a lidar com o tiroteio..Twittertwitter1606331528098856960.Sete a oito tiros, segundo as testemunhas, foram ouvidos por volta do meio-dia na rua de Enghien, no 10.º bairro de Paris, onde fica o centro cultural Ahmet-Kaya e pequenas lojas e cafés curdos. O centro terá sido o primeiro alvo do suspeito, que depois entrou num cabeleireiro em frente. O atirador terá sido travado pelas pessoas na rua, quando recarregava a arma. O suspeito foi detido e identificado mais tarde como William M, um maquinista reformado de 69 anos, já conhecido das autoridades..Segundo o procurador de Paris, o suspeito tinha sido condenado, em junho de 2017, a seis anos de pena suspensa por posse ilegal de armas de fogo. Em junho deste ano, foi condenado a 12 meses de prisão por atos de violência cometidos em 2016, tendo apelado da sentença. Entretanto, estava detido por suspeita de ter atacado, com um sabre, em dezembro do ano passado, várias tendas num acampamento de migrantes no 12.º bairro de Paris. Duas pessoas ficaram feridas. Um ataque considerado "premeditado e de caráter racista". No dia 12 de dezembro tinha passado um ano da sua detenção, o tempo máximo que podia passar em prisão preventiva sem julgamento, pelo que foi libertado - proibido de deixar o país e de porte de arma..susana.f.salvador@dn.pt