Condenado por atentados de Paris recusa comparecer a julgamento por ataques em Bruxelas

Salah Abdeslam disse ao presidente do tribunal que estão a ser tratados de forma injusta, antes de abandonar o banco dos réus poucos minutos depois do início da primeira audiência do processo.

O francês Salah Abdeslam, condenado a prisão perpétua em França pelos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, recusou esta segunda-feira comparecer em Bruxelas ao julgamento pelos atentados de março de 2016 na capital belga, executados pela mesma célula extremista.

"A maneira como nos estão a tratar é injusta", declarou ao presidente do tribunal, antes de abandonar o banco dos réus poucos minutos depois do início da primeira audiência do processo, que vai durar pelo menos oito meses.

Um tribunal da capital belga iniciou esta segunda-feira o julgamento de nove alegados elementos da célula responsável pelos atentados de 2016, também apontada como responsável pelos ataques de Paris em 2015.

Os nove enfrentam acusações de terrorismo.

Em 2016, dois integrantes do grupo extremista detonaram cargas explosivas presas aos corpos no principal aeroporto de Bruxelas e um terceiro fez o mesmo numa estação de metro da cidade. Os ataques simultâneos causaram 32 mortos e centenas de feridos.

Um décimo suspeito será julgado à revelia.

Este é o maior julgamento organizado com um júri na Bélgica, com 960 demandantes civis representados. O tribunal foi instalado numa antiga sede da NATO transformada num complexo judicial de segurança máxima.

Depois da audiência preliminar de segunda-feira, o tribunal irá reunir novamente a 10 de outubro para selecionar os 12 membros do júri e 24 possíveis substitutos.

As audiências de instrução vão começar a 13 de outubro e devem prosseguir até pelo menos junho de 2023.

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