Cinco países da OCDE - Estados Unidos, Alemanha, México, Costa Rica e França - registaram, no ano passado, mais de 100.000 novos pedidos de asilo, um valor só comparável com o atingido durante a crise migratória de 2015..De acordo com o relatório "O Panorama das Migrações Internacionais da OCDE 2022", divulgado esta segunda-feira pela organização internacional de cooperação, os Estados Unidos receberam cerca de 190.000 novos pedidos de asilo em 2021, mantendo-se como o país mais procurado..Ainda assim, os Estados Unidos receberam, no ano passado, menos 26% de pedidos de asilo do que em 2020 e menos 37% do que em 2019, detalha o documento assinado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)..A maior parte dos requerentes de asilo para este país são procedentes da Venezuela, mas também da Guatemala, Honduras, El Salvador e Haiti..No geral, mais de 70% de todos requerentes de asilo nos Estados Unidos são da América Latina e das Caraíbas..A Alemanha foi o segundo país mais procurado por quem precisava de proteção internacional, recebendo quase 150.000 novos pedidos de asilo em 2021..Este número representa um aumento de cerca de 45%, liderado por pedidos de cidadãos da Síria (+50%), do Afeganistão (+135%) e do Iraque (+58%)..O México, que antes de 2016 não aparecia nesta lista, ficou em terceiro lugar entre os mais procurados por requerentes de asilo no ano passado, com mais de 130.000 pedidos, o que representou três vezes mais do que em 2020..Deste total de pedidos às autoridades mexicanas, 40% foram apresentados por requerentes do Haiti, seguidos de nacionais das Honduras e da Costa Rica..Estes números "confirmam a tendência de aumento de pedidos de proteção internacional na América Central e do Sul", refere o relatório..Uma tendência que é reforçada pelos mais de 100.000 pedidos de asilo recebidos pela Costa Rica em 2021 da vizinha Nicarágua..Em França, o quinto país mais procurado, o número de pedidos de novos asilos atingiu os 104.000 em 2021, ou seja, mais 27% do que no ano anterior..Neste país, a origem dos requerentes é mais diversificada, tendo somado 16.000 pedidos provenientes de afegãos e mais de 3.000 oriundos de 10 países diferentes, entre os quais Espanha, Reino Unido, Itália e Áustria..No conjunto dos países da OCDE, o número de novos requerentes de asilo ultrapassou um milhão, uma recuperação na ordem dos 28% em relação a 2020, mas ficando aquém dos níveis pré-pandemia de covid-19..Os 38 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), entre os quais consta Portugal, receberam, no ano passado, 4,8 milhões de novos migrantes permanentes, ou seja, mais 22% do que em 2020..Ainda assim, o número fica meio milhão abaixo do que foi contabilizado em 2019..No entanto, a OCDE espera um aumento dos fluxos migratórios permanentes este ano, "à medida que os países levantam as restrições à imigração e às viagens", refere o relatório..Na OCDE como um todo, a proporção de novos requerentes de asilo em relação à população total foi, no ano passado, de 792 pessoas por cada um milhão, sendo os maiores aumentos observados para os nacionais da Nicarágua e do Haiti..Segundo a análise da organização internacional, as concessões de proteção internacional aumentaram 3% em 2021, após uma queda muito acentuada em 2020..O número de novos refugiados mais do que duplicou no Canadá, para mais de 60.000, e recuperou entre 40% e 74% em França, Itália, Áustria, Países Baixos e Bélgica..As maiores quedas verificaram-se na Austrália, Grécia e Espanha..A nível regional, os países europeus da OCDE emitiram 325.000 decisões positivas de proteção internacional em 2021, ou seja, menos 2% do que em 2020, mas apenas menos 8% do que 2019..Em termos de razões para migrar, o reencontro com a família continuou a ser, no ano passado, o principal motivo, aumentando 39% e representando mais de um terço do total da migração permanente para a OCDE..Com quase 600.000 pessoas a irem viver para perto da sua família, este tipo de migração registou um aumento de 30% na UE, regressando ao nível de 2017-19..A migração laboral para os países da OCDE recuperou 45% em 2021 e ultrapassou os 750.000 trabalhadores, o nível mais alto da última década, crescimento que foi "parcialmente impulsionado pelo grande aumento registado nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido e em Itália", indica o relatório, precisando que no caso italiano a subida teve por base um programa de regularização..No espaço mais restrito da UE, a migração laboral permanente aumentou em linha com a migração familiar (mais 29% em comparação com 2020), abrangendo cerca de 300.000 novos trabalhadores..Por outro lado, a migração humanitária permanente para os países da OCDE aumentou ligeiramente (3%) em 2021, após quatro anos consecutivos de declínio..A OCDE é uma organização internacional composta por 38 países da América do Norte e do Sul, da Europa e da Ásia-Pacífico, da qual Portugal é membro fundador.