Cinco coisas a saber sobre Djibuti, o país que tem bases militares de todos 

Situado junto ao estreito de Bab al-Mandab, entre o mar Vermelho e o golfo de Adem, Djibuti tem uma posição geoestratégica única entre África e a Península Arábica.

Djibuti é quatro vezes mais pequeno do que Portugal e tem apenas um milhão de habitantes, sendo um dos países mais pequenos de África. Mas a nação, que hoje organiza eleições presidenciais, tem usado a sua localização estratégica numa das principais rotas comerciais do mundo para daí retirar vantagens económicas e políticas.

Bases militares estrangeiras

Djibuti fica situado junto ao estreito de Bab al-Mandab, entre o mar Vermelho e o golfo de Adem, conferindo-lhe uma posição geoestratégica única entre África e a Península Arábica. A sua estabilidade numa região muitas vezes volátil atraiu potências militares estrangeiras que estabeleceram bases militares no país. França tem aqui a sua maior base militar de todo o continente africano, contando com 1500 tropas, enquanto China, Japão e Itália também têm soldados no país. Djibuti acolhe ainda a única base militar permanente dos EUA em África, com cerca de 4000 soldados que apoiam as operações de luta contra o terrorismo no continente, por exemplo na Somália.

Último mandato

O presidente de Djibuti, Omar Guelleh, de 73 anos, está no poder desde 1999, sendo apenas o segundo líder do país desde a independência de França em 1977. Nas eleições de amanhã, Guelleh procura um quinto mandato - o último, uma vez que uma emenda constitucional de 2010 coloca um limite de idade de 75 anos para os candidatos presidenciais. A mesma emenda pôs fim ao limite de mandatos, o que lhe permitiu manter-se no cargo na altura. Em 2020 Guelleh enfrentou uma rara vaga de protestos por parte da oposição - que foram brutalmente reprimidos - depois da detenção de um piloto da força aérea que denunciara ter sido alvo de discriminação e corrupção com base na sua etnia. Nestas eleições, Guelleh enfrenta Zakaria Ismail Farah, seu único rival depois de os tradicionais partidos da oposição terem decidido boicotar o escrutínio. Empresário recém-chegado à política, Farah, de 56 anos, especializou-se na importação de produtos de limpeza. Os analistas duvidam, no entanto, que represente uma verdadeira ameaça para Guelleh.

Economia dos portos

Com a sua posição privilegiada numa das rotas comerciais mais concorridas do mundo, a economia de Djibuti depende muito dos seus portos, desde o terminal de contentores de Doraleh até infraestruturas mais pequenas para a importação de produtos específicos tais como potássio, sal ou petróleo. Djibuti é a principal saída marítima para a Etiópia, que não tem acesso ao mar, e afirmou-se como um hub comercial, apostando numa enorme zona de comércio livre em 2018. Em 2020, devido à pandemia de covid-19, a economia de Djibuti contraiu -1% do PIB - pela primeira vez em 20 anos, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. Mas espera-se que recupere em 2021, com as previsões a apontarem para um crescimento de 7%. O PIB per capita ronda os 3500 dólares, mais alto do que na maioria dos países da África subsariana, mas cerca de 20% da população vive na pobreza extrema, de acordo com dados do Banco Mundial.

Energias renováveis e água

Situado na junção de três placas tectónicas, e com sol o ano todo, Djibuti tem potencial para desenvolver energia solar, geotérmica e eólica. O país está neste momento a investir na sua primeira central de energia geotérmica no lago Assal - uma cratera de água salgada 150 metros abaixo do nível do mar. Em março passado, esta nação de terras áridas lançou a sua primeira central de dessalinização, que deverá fornecer água potável a 250 mil pessoas, um quarto da população do país.

Alterações climáticas

A maior parte da população de Djibuti vive na capital homónima. O país tem uma área de 23 200 km2, dos quais 90% são deserto. Apenas mil quilómetros quadrados são aráveis, e caem menos de 130 milímetros de chuva por ano. Como a maioria da região, Djibuti tem enfrentado cada vez mais extremos climáticos. Em 2019, chuvas torrenciais levaram a cheias no país. Algumas áreas receberam o equivalente a dois anos da precipitação num único dia, e pelo menos nove pessoas morreram nas cheias.

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