China explodiu barragem para desviar enchente que matou pelo menos 33 pessoas

Trata-se das chuvas mais intensas dos últimos 60 anos, segundo as autoridades chinesas.

O exército chinês fez explodir uma barragem para libertar as enchentes que ameaçavam uma das províncias mais populosas da China, depois de chuvas torrenciais terem provocado pelo menos 33 mortos e oito desaparecidos, segundo os dados mais recentes difundidos pela televisão estatal CCTV, que cita os serviços de emergência locais.

O relatório anterior, publicado na quarta-feira, indicava 25 mortos e sete desaparecidos.

Cerca de 376 000 pessoas foram retiradas, enquanto mais de 200 000 hectares de plantações ficaram arruinadas, resultando num dano estimado em 1,22 mil milhões de yuan (160 milhões de euros), avançou a CCTV.

A operação da barragem, de que não foram avançados pormenores, foi realizada terça-feira à noite (hora local) na cidade de Luoyang, na altura em que as severas inundações atingiram a capital da província de Henan, Zhengzhou, encurralando moradores e passageiros no metropolitano, bem como deixando pessoas isoladas em escolas, apartamentos e escritórios.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, enviou já uma carta ao Presidente da China, Xi Jinping, "para transmitir sinceras condolências pela trágica perda de vidas e devastação", disse hoje o porta-voz adjunto das Nações Unidas, Farhan Haq.

Trata-se das chuvas mais intensas dos últimos 60 anos, segundo as autoridades chinesas, que chamaram efetivos militares para explodir a barragem para evitar danos maior a montante.

Desconhece-se o que sucedeu a jusante.

Situação "extremamente grave"

Zhengzhou, a capital da província de Henan, foi atingida terça-feira por chuvas torrenciais, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, que adiantou que a torrente de lama e de água transformou as ruas em canais, inundando estações de metro e bairros inteiros.

Xi Jinping já considerou a situação "extremamente grave", mesmo depois de o país ser regularmente vítima no verão de fortes enxurradas, tendo confirmado a morte de 25 pessoas e o desaparecimento de outras sete.

Xi Jinping apelou à mobilização de todos face as consequências do mau tempo.

"As barragens desabaram, causando feridos graves, mortes e danos materiais. A situação na frente de inundação é extremamente grave", admitiu.

As autoridades locais indicaram terem sido retirados cerca de 200.000 dos dez milhões de residentes de Zhengzhou, uma cidade 700 quilómetros a sul de Pequim, que recebeu em três dias o equivalente a quase um ano de chuva.

Vídeos difundidos nas redes sociais mostram veículos cobertos de lama e pessoas encurraladas em carruagens de metro.

Ao norte de Zhengzhou, o famoso Templo Shaolin, conhecido pelo domínio das artes marciais dos seus monges budistas, foi também atingido.

A província de Henan abriga muitos locais de importância para a cultura e é uma importante base para a indústria e a agricultura do país.

A situação mais dramática aconteceu no metropolitano de Zhengzhou, onde os passageiros ficaram encurralados nas carruagens com água pelos ombros, imagens que também circularam nas redes sociais.

Várias testemunhas relataram que o pânico tomou conta das pessoas encurraladas.

Noutras imagens, observa-se uma autêntica maré a invadir a plataforma deserta de uma estação.

Um homem contou à rede social chinesa Weibo que as equipas de resgate abriram o teto de uma carruagem para permitir a evacuação, um a um, dos passageiros.

Centenas de passageiros foram retirados sãos e salvos do metropolitano, garantiram as autoridades municipais.

Os prejuízos materiais foram inicialmente estimados em 542 milhões de yuans (71 milhões de euros) em toda a província de Henan, mas admite-se que deverão ser de montante ainda maior.

A China vive habitualmente inundações durante o verão, mas o crescimento das cidades e a conversão de terras agrícolas em subdivisões aumentaram o impacto destes eventos.

No ano passado, os níveis das cheias no sudoeste do país bateram recordes, destruindo estradas e obrigando dezenas de milhares de habitantes a abandonarem as suas casas.

Notícia atualizada às 8:15 de quinta-feira (22 de julho)

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