Chefe da marinha alemã demite-se por opiniões sobre Ucrânia e Rússia

As declarações causaram revolta na Ucrânia, que chamou o embaixador alemão para reclamar, e também provocaram consternação e uma rápida repreensão por parte de Berlim.

O chefe da marinha alemã demitiu-se no sábado à noite, após ter sido alvo de críticas na Alemanha e no estrangeiro por comentários que fez sobre a Ucrânia e a Rússia.

Falando num evento na Índia, na sexta-feira, o vice-almirante Kay-Achim Schoenbach afirmou que a Ucrânia não recuperará a península da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.

O responsável militar disse também ser importante ter a Rússia do mesmo lado, contra a China, e sugeriu que o Presidente russo, Vladimir Putin, merece "respeito".

As suas declarações, captadas em vídeo, causaram revolta na Ucrânia, que chamou o embaixador alemão para reclamar, e também provocaram consternação e uma rápida repreensão por parte de Berlim.

No sábado à noite, Schoenbach pediu a demissão, dizendo que queria impedir mais danos para a Alemanha e suas Forças Armadas pelas suas "declarações irrefletidas".

Num comunicado, a marinha alemã indicou que a ministra da Defesa, Christine Lambrecht, aceitou a demissão de Schoenbach e nomeou o seu adjunto como chefe naval interino.

O Governo alemão tem insistido que está ao lado dos seus aliados da NATO na questão da ameaça militar da Rússia à Ucrânia, advertindo que Moscovo pagará um preço elevado se lançar qualquer ação militar contra aquele país vizinho.

Mas, ao contrário de muitos outros países da Aliança Atlântica, a Alemanha diz que não fornecerá à Ucrânia armas letais, argumentando que não quer aumentar mais as tensões.

A Rússia tem vindo, nos últimos meses, a concentrar tropas ao longo da fronteira com a Ucrânia -- são já cerca de 100.000 soldados -- e tem também aí efetuado manobras militares.

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