Brasil pede ao Parlamento Europeu mais vacinas da iniciativa Covax

O embaixador do Brasil na União Europeia (UE), Marcos Galvão, pediu esta quinta-feira no Parlamento Europeu que uma maior quantidade de vacinas contra a covid-19 seja enviada rapidamente ao Brasil, principalmente as fornecidas pela iniciativa internacional Covax.

Numa reunião com a delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Brasil, Galvão destacou que desde o início da pandemia no Brasil já morreram mais de 360 mil pessoas, sendo que março último foi o mês mais letal com cerca de 67 mil óbitos.

"O sistema de saúde está a operar na sua capacidade máxima e em alguns casos viu-se sobrecarregado", disse o embaixador.

A representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Socorro Gross, solicitou a esse respeito que se revissem os critérios para a distribuição das vacinas Covax na América do Sul, apontando que deveria ser fornecido um número maior de imunizantes aos países mais afetados pela pandemia, como é o caso do Brasil.

Gross argumentou que o Brasil tem capacidade para vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia, mas necessita de uma maior quantidade de vacinas para avançar e "salvar vidas".

Por sua vez, a chefe do departamento do Serviço Europeu de Ação Exterior (SEAE) para a América do Sul, Veronique Lorenzo, destacou que as diretrizes da iniciativa Covax no Brasil podem ser revistas para introduzir critérios de risco sanitário, o que "poderia ser uma medida temporária para dar ao Brasil o potencial para produzir e exportar vacinas no futuro".

O consórcio Covax é uma iniciativa que reúne cerca de 150 países e tem como objetivo garantir uma distribuição equilibrada de vacinas em todo o mundo, das quais o Brasil reservou 42 milhões de doses com a agência, mas ainda não recebeu nenhuma.

A coordenadora da organização não-governamental brasileira de direitos humanos Conectas, Camila Asano, criticou na reunião que o ritmo de vacinação no Brasil é muito lento e que "menos de 4% da população recebeu a segunda dose".

Asano afirmou que no Brasil ocorreram "mortes que poderiam ter sido evitadas", uma vez que, considerou, na gestão da pandemia pelo Governo brasileiro, presidido por Jair Bolsonaro, existiram medidas que "não protegeram a população, mas sim aumentaram a velocidade de propagação do vírus".

Na esfera económica, o embaixador brasileiro lembrou que em 2020 o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro contraiu 4,1% e o desemprego atingiu a taxa histórica de 14,6% em setembro.

Nesse sentido, Galvão destacou que o Governo Federal tem respondido à crise com programas de apoio a pessoas e famílias vulneráveis, assim como às empresas, mas reiterou que "a prioridade humanitária, sanitária e económica são vacinas, vacinas e vacinas".

Segundo dados do embaixador, até ao momento foram administradas no Brasil 31,7 milhões de doses.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG