Brasil. Ford fecha fábricas e deixa 5000 no desemprego

Decisão da marca americana, no país desde 1919, afeta sobretudo três estados e é considerada pela oposição fruto da "falta de credibilidade" do governo de Jair Bolsonaro

Depois de mais de 100 anos a produzir veículos no Brasil, a Ford anunciou na segunda-feira, dia 11, o fecho de todas as fábricas no país, numa decisão que afeta cerca de 5000 trabalhadores nos estados da Bahia, do Ceará e de São Paulo. A atividade da empresa norte-americana em solo brasileiro vai resumir-se a vendas e assistência técnica, depois de fechar 2020 como a quinta que mais vendeu carros, com 7,14% do mercado.

O anúncio surpreendeu o governo de Jair Bolsonaro, que reagiu através de nota do ministério da economia. "O Ministério da Economia lamenta a decisão global e estratégica da Ford de encerrar a produção no Brasil. A decisão destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no país, muitos já registrando resultados superiores ao período pré-crise".

O vice-presidente Hamilton Mourão tambem lamentou: "Não é uma notícia boa. Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Surpreende-me essa decisão (...) que foi tomada aí pela empresa. Eu acho que ela poderia ter retardado isso aí e aguardado. Até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros aí", afirmou a jornalistas.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, "o fecho da Ford é uma demonstração da falta de credibilidade do governo brasileiro, de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional". Para Rodrigo Maia, do partido de centro-direita DEM, "o sistema brasileiro tornou-se um manicómio nos últimos anos, que tem impacto direto na produtividade das empresas. Espero que essa decisão da Ford alerte o Governo e o parlamento para que possamos avançar na modernização do Estado e na garantia da segurança jurídica para o capital privado no Brasil".

Na direita liberal, mais lamentos. "Menos emprego e rendimentos para os trabalhadores. Precisamos urgentemente aprovar as reformas estruturantes para retomarmos o crescimento económico. Auxílios ajudam no curto prazo, mas não mudam o Brasil e na dose errada podem piorar a situação"

À esquerda, o deputado do PT, Ênio Verri perguntou "o que Bolsonaro fez para tentar impedir o fechamento da Ford no Brasil? Nada, como sempre. 'Não posso fazer nada' é a sua justificativa para tudo".

Marcelo Freixo, do PSOL, destacou a permanência da Ford na vizinha argentina: "Lembram-se quando Bolsonaro disse que se a esquerda vencesse na Argentina, os nossos vizinhos fugiriam desesperados para cá? Pois a Ford vai fechar todas as fábricas no Brasil e manter a produção no Uruguai e Argentina. Bravata não gera emprego nem vai tirar o país do buraco".

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