Boris Johnson pensou que festa era evento de trabalho: "Quero pedir desculpa"

Primeiro-ministro respondeu aos deputados depois de vir a público que houve mais uma festa em Downing Street quando o país estava em confinamento.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu desculpa esta quarta-feira, no início da sua intervenção na sessão semanal de perguntas dos deputados, no Parlamento, e assumiu a responsabilidade pelas festas que terão decorrido nos jardins de Downing Street em 2020 durante o confinamento por causa da covid-19. Mas recusa demitir-se.

Boris Johnson disse que sabe que milhões de pessoas têm sofrido durante a pandemia e percebe a raiva que muitos sentem em relação a ele e ao governo que lidera por aquilo que consideram ter sido uma violação das regras por quem as fez. E que espera o resultado do inquérito interno.

O primeiro-ministro disse que Downing Street é um grande complexo. "Quando fui ao jardim no dia 20 de maio, pensei que era um evento de trabalho", afirmou, alegando que saiu passado 25 minutos, mas admite agora que devia ter acabado com o evento.

O líder da oposição, Keir Starmer, criticou a desculpa de Johnson, que alegou que não sabia que era uma festa que estava a acontecer. "Aqui está... o patético espetáculo de um homem que ficou sem saída", afirmou, perguntando a Johnson se pretende demitir-se. "A festa acabou primeiro-ministro. A única questão é se será o povo britânico a expulsá-lo, o seu partido a expulsá-lo ou se ele fará o que é decente e se demite."

Bastam 54 cartas de deputados conservadores enviadas ao líder do Comité 1922 (que agrupa todos os deputados conservadores que não têm cargos no governo) para desencadear uma moção de censura que pode levar à demissão do líder do partido e consequentemente a sua saída de primeiro-ministro.

O último escândalo é um e-mail, revelado pela estação ITV, que o secretário privado de Johnson enviou para cerca de cem funcionários em maio de 2020. Na mensagem, Martin Reynolds convidava-os para, "depois de um período incrivelmente atarefado", irem "aproveitar o bom tempo" durante umas "bebidas com distanciamento social" nos jardins da residência oficial. "Juntem-se a nós a partir das 18h00 e tragam as vossas próprias bebidas."

Na altura as regras proibiam mais do que duas pessoas de agregados familiares diferentes de se juntarem, sendo que quase 40 terão participado no encontro, incluindo Johnson e a mulher. A polícia britânica já disse estar em contacto com o governo para averiguar as alegações, sendo que este e outros eventos do género que terão ocorrido em Downing Street e que foram revelados antes estão também a ser alvo de uma investigação interna por Sue Gray, funcionária de carreira.

As críticas não vêm só da oposição, com muitos Tories a expressar a sua raiva.

O líder dos conservadores escoceses, Douglas Ross, defendeu mesmo na terça-feira que Johnson deve demitir-se "se tiver violado a lei". Dois terços dos eleitores querem a demissão do primeiro-ministro, segundo uma sondagem da Sky News.

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