Bolsonaro lança candidatura presidencial para "tirar o Estado de cima do povo"

Atual presidente brasileiro utilizou a Convenção do Partido Liberal, no Rio de Janeiro, para oficializar a recandidatura. O general Braga Netto foi confirmado como candidato a vice. Houve ainda tempo para críticas ao STF.

Ao lado da mulher, Michelle, e num imenso clima de festa, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, oficializou ontem a sua recandidatura à presidência, durante o Congresso do Partido Liberal (PL), que decorreu no Rio de Janeiro. Fê-lo com discursos de ataque ao socialismo/comunismo e ao Supremo Tribunal Federal.

Foi ainda oficializado que o general Walter Braga Netto seria o candidato a vice-presidente. As candidaturas foram aprovadas pelos congressistas, em votação virtual, por larga maioria.

Perante uma audiência de cerca de 10 mil pessoas, foi Michelle Bolsonaro quem abriu os discursos, primeiro com uma citação bíblica sobre a "mulher virtuosa", mas depois passando para um lado mais político, afirmando que o projeto do marido era de "libertação da nação".

Bolsonaro pegou nessa ideia para atacar o socialismo/comunismo, que os apoiantes imediatamente ligaram ao adversário, Lula da Silva: "Quando se fala em poder do povo, alguém acha que o povo cubano não quer a liberdade? Tem? Não. Como chegar a esse ponto? Por escolhas erradas (...). A nossa missão é não atrapalhar a vida de vocês. É, cada vez mais, tirar o Estado de cima de vocês. Estado forte, povo fraco. Povo forte, Estado forte".

Com os apoiantes a cantarem: "Lula ladrão, seu lugar é na prisão", Bolsonaro prosseguiu: "Esse cara" quer "legalizar aborto, drogas" e impor a ideologia de género no país. Por isso, prometeu que "tudo fará" para "não ver sentado" no Planalto "um comunista".

Durante o discurso de pouco mais de uma hora, Bolsonaro chamou ainda os apoiantes a saírem às ruas "pela última vez, a 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, em protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Esses surdos de capa preta" - os juízes do Supremo - "têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Interessa para todos nós. Não queremos o Brasil dominado por outra potência. E temos outras poucas potências de olho no Brasil."

Bolsonaro está em guerra com o STF por múltiplas razões, desde sentir-se perseguido politicamente pelos juízes, a criticar o sistema de votação eletrónica a, no mais recente caso, ter indultado o deputado federal Daniel Silveira condenado por aquele tribunal a oito anos e nove meses de prisão, por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito.

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