"Biden tem agido bem como líder do mundo livre ao manter a NATO forte "

Neto de açorianos, Jim Costa é um veterano da Câmara dos Representantes com a política externa entre os seus interesses, ao ponto de, pelas palavras duras contra Putin por causa da Ucrânia, estar proibido de visitar a Rússia. O luso-americano esteve em Portugal a convite da FLAD para o Legislator"s Dialogue.

Sente-se otimista, a nível pessoal, em relação a estas eleições intercalares em que vai candidatar-se a um décimo mandato de congressista?
Sinto-me otimista em relação a ser reeleito, mas nunca tomo nenhuma eleição como garantida, pois acho que é assim que nos metemos em problemas. Tenho dois opositores republicanos, tenho um círculo novo devido aos novos mapas eleitorais na Califórnia, por isso cerca de 30% dos meus eleitores são novos, nunca os representei antes. Estou a trabalhar para chegar a essas comunidades, para angariar apoio aí. Acredito na reeleição, penso que o círculo eleitoral para o Congresso ficou mais democrático, mas não há razão para não trabalhar muito a sério. Os americanos, nestas intercalares, estão preocupados com a inflação e o aumento dos preços dos combustíveis, tal como muita gente na Europa. A guerra na Ucrânia, obviamente, aprofundou essa preocupação.

No que respeita ao Partido Democrático, também está otimista para estas eleições intercalares? Ou, exatamente por causa da inflação, a popularidade do Presidente Joe Biden pode vir a ser afetada e prejudicar as possibilidades do partido manter as maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado?
Sim, sim. Historicamente, as eleições intercalares muitas vezes são um reflexo de como a Administração americana, que vai a meio do mandato, se está a sair - falamos no caminho certo ou no caminho errado, conforme a maioria dos americanos acha que o país vai no caminho certo ou vai no caminho errado. Também historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca sofre perdas nas eleições intercalares. Assim, isso não se prefigura bom para os democratas na Câmara dos Representantes ou no Senado. Se as eleições fossem hoje - faltam seis meses -, penso que seria difícil para nós manter a maioria na Câmara dos Representantes.

Mas está então otimista em relação a manter o controlo no Senado, onde o voto da vice-presidente Kamala Harris garante a maioria?
Vou formular de outra maneira: penso que há 50% de hipóteses, e que podemos manter a maioria e ganhar alguns assentos no Senado.

Isso tem que ver com serem mais os senadores republicanos a terem de defender nas urnas a reeleição?
Sim, mas há vários fatores. Em primeiro lugar depende da distribuição das listas. Nós não temos uma lista em cada Estado entre os republicanos e os democratas, e os republicanos têm mais concorrentes a lugares no Senado do que os democratas. O principal fator, e vamos ver isso nas próximas semanas, é a escolha de candidatos republicanos, que pode dar aos democratas mais hipóteses de vitória nas eleições gerais. Portanto, vamos ver nas primárias republicanas se têm ou não mais candidatos moderados ou se serão os mais extremistas e apoiantes de Trump a receber mais nomeações. Ficaremos a saber mais nos próximos dois meses, mas penso que temos boas hipóteses na Câmara dos Representantes e que poderemos até ganhar alguns lugares no Senado. Mas é preciso ter em conta, volto a alertar, que as eleições não vão acontecer hoje nem amanhã, são em novembro. Penso que em Portugal, como na Europa, também seis meses antes das eleições podem ser uma eternidade, como nós gostamos de dizer, porque tanta coisa pode mudar... Quem diria há umas semanas que iríamos ter esta guerra na Ucrânia? E ela está, penso, a tornar as pessoas muito mais conscientes da ameaça e da importância de as nações democráticas se manterem unidas. Acho que o presidente Biden tem agido bem como líder do mundo livre ao manter a nossa aliança na NATO e a parceria transatlântica numa posição forte de unidade. Há quem diga que já não víamos isso desde a Guerra Fria. Agora, qual será o papel de tudo isto nas eleições daqui a seis meses, penso que dependerá do que vai acontecer nos próximos tempos. Alguns economistas dizem que a inflação vai começar a cair nos próximos meses. Portanto, se formos bem-sucedidos na Ucrânia, se a inflação cair para metade nos próximos quatro meses, se os preços dos combustíveis baixarem - não têm de voltar ao que eram há 18 meses -, as circunstâncias económicas no mês de setembro deste ano podem melhorar, de uma maneira significativa, os desafios políticos. Se isso acontecer, acho que podemos ganhar a Câmara dos Representantes e mais lugares no Senado, mas não podemos falar de resultados baseados no que está a acontecer agora, porque muita coisa pode mudar nos próximos quatro ou cinco meses.

De qualquer forma, quando olhamos para os EUA a partir da Europa, mesmo com esta guerra e o nível significativo de apoio popular à reação do presidente Biden, a ideia geral é de que o país continua muito dividido. Por exemplo, a aprovação da nova juíza do Supremo Tribunal contou apenas com dois votos de senadores republicanos, enquanto há alguns anos a aprovação era por vastas maiorias bipartidárias. Durante a presidência de Donald Trump foi ao contrário, com os democratas a votarem contra os nomeados. Mesmo o número de pessoas que mantém que Trump foi o vencedor das últimas eleições e não Biden revela essa fratura na sociedade americana. Provavelmente não será tão óbvia na Califórnia, mas o senhor também está em Washington. Como é que vê esta questão? Essa divisão existe mesmo na sociedade?
Sim, nós temos divisões no nosso país. Algumas partes do país estão divididas como já não estavam há décadas e Trump ajuda a manter viva essa divisão de muitas maneiras. Mas penso que também é importante que, como europeu, veja que nós conseguimos aprovar uma grande quantidade de legislação sobre a pandemia no ano passado - o Plano de Recuperação Americano -, e um grande pacote de infraestruturas em parceria no passado mês de agosto. O presidente Trump dizia que teríamos um grande investimento em infraestruturas, mas devia estar a brincar porque nunca aconteceu nada. Este é para transportes, água, é para investir no nosso país, e estamos a ver esses investimentos a acontecer agora. As pessoas estão a ver o dinheiro dos seus impostos a funcionar em círculos eleitorais como o meu, assim como no Centro-Oeste e noutros lugares. Foram assinadas 76 leis bipartidárias, mas isso já tem vindo a acontecer há anos, há vários exemplos até na presidência de Obama nas nomeações para o Supremo Tribunal. Portanto, é a política...

Está a dizer que a América está menos dividida na realidade do que parece quando os partidos estão a lutar pelo Supremo Tribunal?
As divisões existem, claro, mas Biden tem tido algum sucesso no campo do investimento em mobilizar apoio bipartidário. Já não víamos investimento desta envergadura desde os anos 1960 e isso é uma coisa muito importante. Às vezes ficamos maravilhados com os investimentos na Europa no setor dos transportes - os investimentos nos sistemas de transportes ferroviário, aéreo e outros têm tido muito sucesso na Europa. Portanto, Biden deve receber o crédito por isso, pelo que fez também na pandemia. A América, felizmente, depois da anterior Administração sair, conseguiu fornecer vacinas e testes para toda a gente. Na liderança de Biden fornecemos também vacinas para muitos sítios no mundo em coordenação com a Aliança Global para as Vacinas; partilhámos informação com os países europeus e unimos a NATO através do diálogo entre os legisladores transatlânticos. Quando estávamos em Bruxelas em fevereiro, dois dias antes da invasão, devo dizer que não via os países da NATO tão unidos como nessa altura, desde a Guerra Fria, mesmo a Hungria e a Turquia que, por vezes, se afastam. Costumávamos dizer na América que a nossa política terminava à beira da água, por outras palavras, tentávamos ser bipartidários nas relações internacionais, mas isso mudou muito nos últimos 18 anos. Mas em relação à Ucrânia temos tido o apoio de quase todos nas últimas dez semanas. O pacote inicial era de 14,3 mil milhões de dólares e o presidente anunciou na semana passada que seria aumentado para mais de 30 mil milhões de dólares para ajuda militar, económica e humanitária - Portugal e outros países europeus estão a fornecer assistência adicional -, e os republicanos estão a apoiar-nos em Washington. Claro que há alguns dissidentes, mas a maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado apoiam o esforço do Presidente Biden para ajudar a Ucrânia, e isso é importante.

Portanto, em termos de política externa, a América está unida?
Sim, estamos mais unidos do que estivemos em dez anos!

Consegue imaginar uma América sob a presidência de Trump a lidar com esta crise na Ucrânia?
Nem conseguimos imaginar [risos] o que seria. Tudo o que Trump fez enquanto presidente foi dissociar-se da NATO. Ele troçava deles. Não só falava publicamente sobre a saída dos EUA da NATO, como dizia que a União Europeia era um adversário e não um aliado. Ao mesmo tempo tinha aquela "relação especial" com Putin. Eu disse num discurso na Câmara que achava que o presidente Putin era um criminoso de guerra e fui sancionado, juntamente com outros membros, pelo Kremlin. Tomei isso como uma má piada, porque não estou a planear ir a Moscovo, mas o facto é que, apesar de apenas podermos especular o que o presidente Trump teria feito, eu penso que é claro que Putin falhou os cálculos em duas áreas. Primeiro, ele acreditou sinceramente que com a sua propaganda os ucranianos iriam, de alguma maneira, receber os russos com flores e dizer-lhes que eram muito bem-vindos e que estariam em Kiev em três dias. Aí, ele colocaria no poder o seu próprio governo. Bom, Deus abençoe os ucranianos e a sua coragem perante este terrível ataque assassino pelo exército de bandidos russos a civis ucranianos. Os ucranianos demonstraram que conseguem competir militarmente e conseguem repelir os russos. Nós cremos que já perderam a vida cerca de 20 000 soldados russos e, segundo as últimas contas, já foram mortos 12 generais russos. O presidente Zelensky e o povo ucraniano não só fizeram frente aos russos, como criaram um verdadeiro símbolo na Europa e nos Estados Unidos de que isto é uma batalha entre o bem e o mal, e de que as nações democráticas podem enfrentar ditadores e autocratas como o pária Putin. No fundo, tem tudo que ver com isso. Este é um tempo de teste na história mundial. Acredito que os historiadores, daqui a 20 ou 25 anos, vão olhar para trás e avaliar esta aliança de nações democráticas e como nós nos erguemos, com sucesso, na defesa da democracia, dos direitos humanos, do Estado de direito e nos preparámos para fazer os sacrifícios necessários. Vamos tomar boas decisões e outras menos boas, mas esperamos, se é que o séc. XX serve de exemplo, que iremos tomar mais decisões boas do que menos boas. Tivemos momentos seminais no séc. XX - a Primeira Guerra Mundial, a Gripe Espanhola, a Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial. Na América podemos falar dos anos 1960 e dos Movimentos pelos Direitos Civis com tumultos nas ruas; perdemos 58 000 soldados americanos no Vietname. Mais um momento seminal na história americana: o 11 de Setembro. Nós perdemos mais vidas nesse ataque do que quando os japoneses atacaram Pearl Harbor. Foi a única vez em que o artigo 5.º foi evocado e os aliados da NATO responderam na luta contra Ossama bin Laden e o terrorismo no mundo. Penso que estamos a viver outro momento seminal e espero que tomemos mais decisões boas do que más e, se o fizermos, no futuro, a Europa e os países democráticos de todo o mundo, assim como os EUA, ficarão mais fortes. Os jovens não se apercebem nem apreciam, na Europa e nos Estados Unidos, é que até há poucas semanas este foi o maior período de paz na Europa - quase 80 anos - desde há mais de mil anos. É preciso que pensem nisso. Os europeus têm andado a lutar uns com os outros durante os últimos mil anos e este foi o maior período de paz. O que temos visto com esta invasão da Ucrânia é que tudo isso está a mudar.

Diria que esta situação internacional coloca mais dificuldades ao republicano Trump para tentar reconquistar a presidência em 2024?
Sim. Ele errou. Tentou durante a campanha de 2020 que o presidente Zelensky alinhasse com ele num esquema sobre a entrega de armas defensivas à Ucrânia, para prejudicar o seu opositor, Biden. Isso deveria ter sido uma boa pista para se perceber que tipo de pessoa é o presidente Zelensky. Ele fortaleceu as relações com os Estados Unidos e, de repente, este sujeito, Trump, tem uma conversa telefónica para tentar atacar o seu opositor. Zelensky percebeu que aquilo era uma loucura e não entrou no jogo. Penso que no final, depois de algumas audições sobre a insurreição de 6 de janeiro de 2021, em que estes traidores, estes insurretos, invadiram o Capitólio em Washington e tentaram subverter uma eleição pacífica e justa, e fizeram a América parecer um país do terceiro mundo, iremos ter um resultado. Fui um dos 40 congressistas que ficaram fechados nas instalações da Câmara no assalto ao Capitólio.

Nesse momento teve verdadeiros receios pelo desenrolar da situação? Foi verdadeiramente perigoso para as pessoas que ficaram presas lá dentro, com o Capitólio invadido por apoiantes de Trump que queriam impedir a formalização da eleição presidencial de Biden?
Sim. Foi surreal. Posso mostrar-lhe as fotografias. Mas há documentação credível sobre o envolvimento do presidente Trump e do seu grupo, como o antigo presidente da Câmara de Nova Iorque Rudy Giuliani e outros que andavam à volta dele na altura. Acreditamos que pelo menos meia dúzia, se não mais, membros do Congresso fizeram parte dessa tentativa. O mundo inteiro vai ter acesso - as audições vão ser transmitidas na televisão - à informação. Elas vão acontecer nos próximos três ou quatro meses e isso pode mudar a opinião das pessoas sobre as eleições em novembro deste ano.

Em relação à China parece haver uma espécie de continuidade entre Trump e Biden, porque a China é o principal concorrente dos EUA em termos económicos no mundo e rival geopolítico como futura superpotência. Como é que olha para a China hoje, acha que lidar com os riscos para a América da sua ascensão é algo que pode esperar pois a Rússia é agora a prioridade?
A China é uma potência em ascensão e a Rússia é uma potência em declínio. Eu vou responder à sua pergunta sobre a China, mas primeiro tenho de pôr as coisas em perspetiva, porque acabei de falar sobre a forma como Putin se enganou na avaliação não apenas sobre a forma como a Ucrânia iria enfrentar a Rússia, como também confiou no trabalho de Trump para desunir a NATO e a Europa. Há semanas que tenho vindo dizer isto: o mundo mudou desde 24 de fevereiro, de formas que nunca teríamos conseguido imaginar antes disso! Acho que temos provas avassaladoras que apoiam esta afirmação. Putin enganou-se enormemente, não só no que respeita à Ucrânia, como também em relação à unidade ocidental. Presidentes americanos, tanto republicanos como democratas, tentaram durante 20 anos que a Alemanha contribuísse com 2% do seu PIB para a defesa e há duas semanas o chanceler disse que seriam mais de 2%, além de ter cancelado o Nord Stream. A acrescentar a isso a Suécia e a Finlândia vão aderir à NATO. A União Europeia vai dispor de 500 milhões de euros para a assistência económica e humanitária à Ucrânia, o que seria impensável há dez ou 12 semanas. A eternamente neutral Suíça apoia as sanções e ajuda-nos a ir atrás do dinheiro dos oligarcas nos bancos suíços. Além dos esforços feitos pelo Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, para apoiarem as sanções e fornecerem assistência à Ucrânia. Tudo isto era inimaginável há umas semanas. O mundo mudou. O presidente Xi assinou um acordo com o presidente Putin antes dos Jogos Olímpicos e acho que ele acreditava que a Rússia iria vencer rapidamente. Não acredito que o presidente Xi esteja muito feliz neste momento, porque a China tem orgulho na estabilidade. Biden diz-nos que sempre que eles falam entre si o presidente Xi discursa sobre o assunto. O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, quando se reuniu connosco, os legisladores luso-americanos, disse que os chineses estão muito preocupados com a instabilidade e com a forma como ela se vai repercutir na sua economia. O prolífico PIB chinês já não é o que era e eles falharam na sua estratégia para acabar com a pandemia. Há crescentes problemas económicos na China. Penso que é nesse cenário que a China está a recalcular a sua posição de apoio à Rússia. Eles compreendem que a Rússia é um país do terceiro mundo com armas nucleares, ou, como costumava dizer John McCain, uma estação de serviço com armas nucleares. O sucesso económico da China no séc. XXI vai depender de tudo isto. As pessoas precisam de perceber que se temos 500 milhões de pessoas na Europa e 330 milhões de pessoas nos Estados Unidos e outros 30 milhões no Canadá, o que temos é quase 900 milhões de pessoas que respondem por metade da economia mundial. Estas nações democráticas - Europa, Estados Unidos e Canadá - seguem as regras no que respeita a direitos humanos, Estado de direito e acho que isto foi uma chamada de atenção. Putin contava que duas coisas não acontecessem: esta unidade entre democracias, NATO, Europa e Estados Unidos e a vontade de lutar da Ucrânia. Como resultado disso, penso que a China está agora a reconsiderar onde é que precisa de estar. Há outra coisa que temos estado a dizer à Europa há vários anos: não dependem da Rússia para a vossa energia. Penso que o exemplo de Portugal, com 60% da sua energia a vir de fontes renováveis e muito pouco dependente do gás russo, é um exemplo que vamos ver replicado nos próximos dois ou três anos na mudança que vai acontecer na Europa. Com a ação contra as alterações climáticas não podemos ser dependentes de forma nenhuma de um ditador ou de um autocrata que responde pelo nome de presidente Putin. Além disso, penso que é importante para a Europa, enquanto lidamos com as alterações climáticas e a energia, fazer as mudanças necessárias para a sua economia, qualidade de vida e para o nosso planeta. Não podemos fazer funcionar o acordo sobre o clima se não avançarmos juntos e alterarmos as nossas fontes de energia nos próximos dez ou vinte anos.

Pode comentar as recentes notícias sobre a intenção do Supremo Tribunal de reverter a lei do aborto?
Bom, não é surpreendente o facto de existir um projeto, que não sei como é que foi libertado para a imprensa, para eliminar na América os direitos reprodutivos das mulheres. Penso que vai ter um impacto muito importante nas eleições do próximo outono. As mulheres republicanas podem ser socialmente conservadoras em vários aspetos, mas no que toca aos seus direitos pessoais penso que têm opiniões muito fortes. Todas as sondagens que vemos na América mostram uma enorme maioria de apoio à manutenção dos direitos reprodutivos das mulheres, e isso vai diretamente contra o projeto. Além disso, supostamente, o juiz-presidente que foi proposto por um presidente republicano, se este projeto fica vai ficar do lado da minoria numa votação de 5 contra 4. Não sabemos o que vai acontecer, mas vamos ver. Se isso acontecer, vamos ter uma situação nos Estados Unidos em que talvez em metade dos estados as mulheres tenham direito a decidir a sua vida reprodutiva e na outra metade não, o que as vai obrigar a viajar. Mas pensar que se uma mulher foi violada ou, tragicamente, esteve numa situação de incesto, não pode terminar a gravidez, além de outras circunstâncias... Penso que neste momento ninguém consegue prever qual vai ser a decisão do tribunal, mas penso que vai ter um impacto significativo nas eleições de novembro.

leonidio.ferreira@dn.pt

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