Biden denuncia "a grande mentira" de Donald Trump

No Capitólio irão decorrer diversos eventos de "reflexão e memória" do ataque sucedido há um ano atrás.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou esta quinta-feira a "grande mentira" do seu antecessor Donald Trump sobre o resultado das eleições presidenciais de 2020, acusando-o de ser responsável pelo ataque ao Capitólio, há um ano.

No discurso alusivo ao 1.º aniversário do ataque ao Capitólio, em Washington, Biden fez críticas severas ao "presidente derrotado", que culpou pela invasão da sede do Congresso norte-americano por parte dos seus apoiantes, dizendo que Trump foi o principal responsável pela insurreição.

"Pela primeira vez na nossa história, um presidente não apenas perdeu uma eleição, mas tentou impedir a transferência pacífica do poder quando uma multidão violenta invadiu o Capitólio", disse Biden.

"A democracia foi atacada", disse o presidente norte-americano, dizendo que, apesar das ameaças, "nós, o povo, prevalecemos".

O ataque à sede do poder legislativo norte-americano ocorrido em 06 de janeiro de 2021 ficou marcado pela morte de cinco pessoas e mais de uma centena de polícias agredidos por uma multidão composta por apoiantes do ex-presidente republicano.

Donald Trump tinha uma conferência de imprensa programada para hoje, mas cancelou a iniciativa, tendo anunciado que vai abordar o tema do assalto ao Capitólio num comício em 15 de janeiro.

O presidente e os representantes democratas no Congresso começaram o dia no Statuary Hall, um dos vários locais onde em 06 de janeiro de 2021 os invasores se reuniram para tentar impedir a validação do resultado das eleições presidenciais de 2020.

No discurso, Biden traçou um contraste entre a verdade do que aconteceu e as falsas narrativas que surgiram sobre o ataque ao Capitólio, incluindo a recusa contínua de muitos republicanos em afirmar que o candidato democrata vencera as eleições.

"Vocês, eu e o mundo inteiro vimos com os nossos próprios olhos", disse Biden, referindo-se à sua vitória.

O presidente pediu à sua audiência para que fechasse os olhos e lembrasse o que vira naquele dia, enquanto descrevia as cenas violentas e angustiantes do ataque: uma multidão a atacar a polícia, a erguer uma forca que deveria servir para enforcar o então vice-presidente (Mike Pence), tudo enquanto Trump estava sentado na Casa Branca a assistir à invasão pela televisão.

"Aqui está a verdade de Deus sobre 06 de janeiro de 2021. Eles estavam a tentar subverter a Constituição", frisou Biden.

"Devemos ser absolutamente claros sobre o que é verdade e o que é mentira. Aqui está a verdade. (...) O ex-presidente dos Estados Unidos da América (EUA) espalhou uma teia de mentiras sobre as eleições de 2020", prosseguiu Biden.

E prometeu: "Eu não procurei esta luta, trazida para este Capitólio há um ano. Mas também não vou recuar. Eu vou defender esta nação. Não permitirei que ninguém coloque um punhal na garganta desta democracia".

Uma série de eventos para assinalar o 1.º aniversário do ataque ao Capitólio decorrerá ao longo do dia de hoje, contando com a presença de um grande número de dirigentes e congressistas democratas, mas quase todos os republicanos estarão ausentes.

Embora a quase totalidade dos congressistas republicanos tenha condenado o ataque, nos dias seguintes aos acontecimentos de 06 de janeiro, a verdade é que a maioria permaneceu leal ao ex-presidente Donald Trump.

A congressista Liz Cheney, presidente da comissão de inquérito da Câmara de Representantes que investiga o ataque e uma das poucas republicanas presentes nas cerimónias do Capitólio, avisou que "a ameaça continua", referindo-se ao facto de Trump continuar a lançar suspeitas sobre a vitória eleitoral de Biden.

"Infelizmente, muitos no meu próprio partido estão a acolher o ex-presidente, estão a olhar para o outro lado ou a minimizar o perigo", disse Cheney, numa entrevista televisiva.

Trump diz que Biden o usou para dividir o país e que eleições foram fraudulentas

O ex-presidente norte-americano Donald Trump declarou que o seu sucessor, Joe Biden, que hoje o culpou do ataque de há um ano ao Capitólio e de preferir o ego à democracia, o usou "para dividir" o país.

"[Biden] usou o meu nome hoje para tentar dividir ainda mais os Estados Unidos", disse em comunicado Trump que, na terça-feira passada cancelou uma conferência de imprensa agendada para hoje na sua residência de Mar-a-Lago, no Estado da Florida.

Trump insistiu novamente que deveriam ser discutidas as eleições presidenciais "fraudulentas" de 2020, que perdeu para o democrata.

"Escaparam impunes e isso está a levar à destruição do nosso país", defendeu Trump.

O republicano acrescentou que Biden está a destruir o país com "políticas loucas de fronteiras abertas, eleições corruptas, políticas energéticas desastrosas, mandatos inconstitucionais e fechos de escolas devastadores".

O ex-inquilino da Casa Branca criticou também a comunicação social, rejeitando que se refiram à alegada fraude eleitoral como "A Grande Mentira".

"Os democratas querem apropriar-se deste dia 06 de janeiro para avivar os medos e dividir os Estados Unidos", enfatizou.

Na passada terça-feira, Trump indicou que cancelava o seu encontro com a imprensa devido "à total parcialidade" da comissão que está a investigar o ataque ao Capitólio de 06 de janeiro de 2021.

Uma sondagem hoje divulgada pela Fundação Knight indica que a maioria dos norte-americanos considera que o ataque ao Capitólio pelos seguidores de Trump foi um exercício ilegítimo da liberdade de expressão.

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