Biden não garante "resultado final" da operação de retirada

O presidente norte-americano disse que as forças dos Estados Unidos transportaram 13 mil pessoas para fora do Afeganistão desde 14 de agosto, e 18 mil desde julho

O Presidente dos Estados Unidos disse esta sexta-feira que não pode garantir o "resultado final" da operação de retirada em Cabul, uma das "mais difíceis da história" no final de uma guerra de 20 anos no Afeganistão.

"Não posso prometer qual será o resultado final", disse Joe Biden num discurso na Casa Branca, no qual anunciou que os EUA tinham retirado 13.000 pessoas do Afeganistão desde 14 de agosto.

Mas garantiu que os Estados Unidos tudo farão o que estiver ao seu alcance para retirar em segurança os aliados e parceiros afegãos, bem como outros cidadãos em risco no Afeganistão.

Além disso, o Presidente assegurou que as forças dos EUA retirarão do Afeganistão todos os americanos que queiram regressar a casa.

Embora Biden tenha anteriormente culpado os afegãos pelo falhanço dos Estados Unidos em retirar mais aliados de território afegão antes da repentina tomada do poder pelos talibãs - que se concretizou no passado dia 15, com a tomada de Cabul -, responsáveis norte-americanos disseram esta sexta-feira à agência noticiosa Associated Press (AP) que diplomatas na embaixada na capital afegã tinham formalmente instado, há várias semanas, a administração Biden a acelerar os esforços de retirada.

Há ainda dezenas de milhares de pessoas para serem retiradas do Afeganistão antes do prazo de 31 de agosto fixado pelos Estados Unidos para a conclusão de saída das suas tropas do país, apesar de o ritmo ter entretanto acelerado.

Um responsável da Defesa indicou que cerca de 5.700 pessoas, incluindo cerca de 250 norte-americanos, foram transportadas para fora de Cabul a bordo de 16 aviões C-17. E em cada um dos dois dias anteriores, cerca de 2.000 pessoas partiram na ponte aérea.

Biden reuniu-se esta sexta-feira com a sua equipa de segurança nacional sobre as retiradas e discursou depois ao país, a partir da Casa Branca.

Além das críticas que lhe são dirigidas por alguns congressistas, que dizem que os Estados Unidos falharam em fazer planos adequados para uma rápida tomada do poder pelos talibãs, os diplomatas norte-americanos expressaram discordância.

O Aeroporto de Cabul tem sido o centro de intensos esforços internacionais para retirar estrangeiros, mas também aliados afegãos e outros afegãos mais em risco de ser alvo de represálias por parte dos talibãs.

Com os talibãs a controlar a capital afegã, incluindo o perímetro exterior do aeroporto, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, declarou que os cidadãos norte-americanos estão a conseguir chegar ao aeroporto, mas deparam-se muitas vezes com multidões junto aos portões do aeroporto.

Na quinta-feira, os talibãs dispararam para o ar para tentar controlar a multidão concentrada junto aos muros do aeroporto. Homens, mulheres e crianças fugiram.

Os talibãs conquistaram Cabul no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a "vida, propriedade e honra" vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.

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