Benjamin Netanyahu ignora apelo de Joe Biden

Primeiro-ministro israelita reitera soberania na decisão de parar as hostilidades, enquanto prosseguem as iniciativas diplomáticas.

Ao quarto telefonema no espaço de uma semana entre o presidente norte-americano e o primeiro-ministro israelita, Joe Biden pediu para que este ordene uma "desescalada significativa" do conflito iniciado no dia 10. No entanto, Benjamin Netanyahu, sem comentar o teor da conversa, disse que está determinado em "continuar a operação até o objetivo estar alcançado: devolver a paz e a segurança aos cidadãos de Israel".

Horas antes, um militar israelita disse aos jornalistas que está a ser analisada "a questão de quando convocar um cessar-fogo". Acrescentou, todavia, o que tem sido repetido nos últimos dias: o exército está a preparar-se para "mais dias ou mais semanas" de operações adicionais, as quais já deixaram 227 mortos e 70 mil desalojados. E declarou que Israel não se comprometeria a cessar as hostilidades até o governo estar convencido de que a ofensiva "reduziu as capacidades militares do Hamas". "A questão agora - concluiu - é se o Hamas recebe a mensagem".

Iniciativa do presidente norte-americano é criticada pela ex-embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley.

Numa reunião com embaixadores na base militar de Hakirya, em Telavive, Netanyahu afirmou que "só há duas maneiras de lidar" com o Hamas: "Ou os derrotamos - e isso é sempre uma possibilidade - ou os dissuadimos e estamos atualmente empenhados numa firme dissuasão. Não estamos a descartar qualquer possibilidade."

Apesar desta aparente inflexibilidade quer à pressão do seu maior aliado, quer em relação à abordagem ao conflito israelo-palestiniano por parte de Telavive, os esforços diplomáticos prosseguem em várias frentes. Heiko Maas, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, país que mostrou apoio ao governo israelita, estará hoje em Israel e na Cisjordânia para conversações. Uma iniciativa que recebeu a perplexidade do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier. "Tenho as minhas dúvidas sobre se as nações devem fazer individualmente os seus próprios esforços de mediação", disse.

Depois de quatro declarações apresentadas por vários estados-membros a pedir uma trégua e rejeitadas pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, foi a vez de a França anunciar que, em conjunto com o Egito e a Jordânia, iria apresentar um projeto de resolução no mesmo órgão, embora sem informar quando. "O tiroteio tem de parar, chegou o momento de um cessar-fogo e o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem de tratar do assunto", disse o Palácio do Eliseu.

Ao que um porta-voz dos EUA nas Nações Unidas diplomaticamente rejeitou de pronto. "Estamos concentrados nos intensos esforços diplomáticos em curso para pôr fim à violência e não apoiaremos ações que acreditamos possam comprometer os esforços de desescalada."

Em termos domésticos, a administração Biden vê-se entre a crítica dos republicanos a quaisquer sinais de concessão aos opositores de Israel e a ala progressista do Partido Democrata. A ex-embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, criticou a iniciativa de Biden "enquanto o grupo terrorista Hamas continua a lançar rockets".

Na Câmara dos Representantes, Alexandria Ocasio-Cortez propôs uma resolução para bloquear a venda aprovada a Israel de 735 milhões de dólares em material militar.

cesar.avo@dn.pt

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