Ataques israelitas provocam 316 mortes em Gaza num só dia

As forças israelitas designaram uma área que equivale a 20% de toda a cidade de Khan Younis para "evacuação imediata", apesar de ser uma região onde, além dos 117.000 residentes antes do início da guerra, estão 21 instalações onde se refugiaram 50 mil deslocados do norte.
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Os ataques de Israel contra Gaza causaram pelo menos 316 mortos e 664 feridos no domingo, informou esta segunda-feira o ministério da Saúde do enclave palestiniano às Nações Unidas, quando a distribuição de ajuda humanitária foi novamente restringida.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza é controlado pelo grupo islamita Hamas, que governa esta região.

A província de Rafah foi a única na Faixa Gaza em que houve entrega de ajuda à população nas últimas horas [especialmente farinha e água], mas a entrega de outros bens de sobrevivência, destinado à zona de Khan Younis foi interrompida devido ao aumento das hostilidades, segundo um relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação da Ajuda Humanitária (OCHA, sigla em inglês).

O acesso limitado à zona norte do território, que se verificou durante as tréguas Gaza, onde dezenas de milhares de civis continuam a viver, foi interrompido novamente.

O OCHA indicou que as forças militares israelitas designaram no domingo uma área que equivale a 20% de toda a cidade de Khan Younis para "evacuação imediata", apesar de ser uma região onde, além dos 117.000 residentes antes do início da guerra, estão 21 instalações onde se refugiaram 50 mil deslocados do norte.

A ONU observou que a ordem é para que estas dezenas de milhares de pessoas se desloquem agora para três áreas em direção a Rafah [na fronteira com o Egito], "que já estão mais do que saturadas", segundo a ONU.

"Não é ainda clara, a quantidade de pessoas que estão a deslocar-se para as áreas do sul", reconhece a ONU, cujo pessoal continua a trabalhar para ajudar a população vítima da guerra.

As forças armadas israelitas reiteraram os avisos para a evacuação da cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, para onde dezenas de milhares de palestinianos se deslocaram nas últimas semanas, à medida que se intensifica a ofensiva terrestre.

Residentes disseram à AFP que ouviram ataques aéreos e explosões em Khan Younis durante a noite de domingo e hoje de manhã, depois de os militares de Israel terem lançado folhetos a avisar as pessoas para se deslocarem mais para sul, em direção à fronteira com o Egito.

Numa publicação em árabe difundida igualmente através das redes sociais, os militares israelitas ordenaram novamente a evacuação de duas dezenas de bairros de Khan Younis.

A guerra entre Israel e Gaza já matou milhares de palestinianos e provocou a deslocação de mais de três quartos da população do território habitado por 2,3 milhões de palestinianos.

Por outro lado, Israel anunciou a morte de três soldados no enclave, elevando o número soldados mortos para 75.

Entretanto, as forças israelitas mataram hoje dois cidadãos palestinianos durante um ataque militar no norte da Cisjordânia ocupada, uma zona onde a violência aumentou na sequência da guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.

"Dois jovens foram mortos pelas balas da ocupação israelita (...) durante um ataque na cidade de Qalqilya", declarou o Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestiniana.

Os factos ocorreram hoje de manhã quando as forças israelitas abriram fogo contra o veículo em que viajavam os dois palestinianos, ferindo outras duas pessoas, refere a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa.

O Exército de Israel ainda não forneceu qualquer informação sobre estas duas mortes.

A Cisjordânia ocupada e Israel estão a viver o maior momento de violência desde a Segunda Intifada (2000-2005): 462 palestinianos foram mortos desde janeiro em confrontos com as tropas israelitas.

As Nações Unidas sublinharam mais uma vez que Israel - como uma das partes nesta guerra - tem a obrigação, ao abrigo do direito internacional, de minimizar os danos aos civis e que, quando ordena a sua retirada, deve fazê-lo com antecedência suficiente, oferecendo-lhes rotas seguras e um lugar para onde ir, o que não está a acontecer neste caso.

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