Associação Portugal-Arménia saúda "reconhecimento histórico" do genocídio pelos EUA

Associação de amizade entre os dois países enviou uma carta à embaixada norte-americana em Lisboa a sublinhar o que qualifica como um "marco significativo para a Humanidade".

A Associação de Amizade Portugal-Arménia saudou os Estados Unidos pelo reconhecimento do genocídio arménio. Esta sexta-feira Joe Biden tornou-se no primeiro presidente norte-americano a reconhecer formalmente como um genocídio o massacre de 1,5 milhões de arménios pelo império otomano, em 1915.

Numa carta enviada à encarregada de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, Kristin M. Kane, a Associação de Amizade Portugal-Arménia saúda a "declaração oficial do presidente Joseph R. Biden sobre o Dia da Memória, reconhecendo formalmente Meds Yeghern (Grande Crime em arménio) como um genocídio perpetrado pelo Império Otomano em 1915". Uma declaração que é um "marco significativo para a Humanidade" e que demonstra um "genuíno compromisso com a verdade, justiça, solidariedade e os direitos humanos".

Na missiva, assinada pelo presidente, Vahe Mkhitarian, a associação aponta os Estados Unidos como um dos países que mais ajudou os arménios ao tempo do ataque pelo império otomano, e sublinha também o papel posterior, na reconstrução, de nomes como Calouste Gulbenkian (que era de origem arménia), sublinhando o seu "incessante apoio à comunidade na Diáspora".

Dizendo esperar que a declaração de Joe Biden possa ser seguida pelo reconhecimento do genocídio arménio por outros países, a Associação de Amizade Portugal-Arménia sublinha que este "reconhecimento histórico da verdade" deve também conduzir a Turquia a uma abordagem diferente desta "página negra da sua história".

A Turquia sempre recusou o termo "genocídio" e rejeita qualquer sugestão de extermínio, falando em massacres recíprocos num cenário de guerra civil e fome que provocou centenas de milhares de mortes em ambos os lados.

Cerca de três dezenas de países, entre os quais se conta Portugal, classificam o massacre como um genocídio. Apesar de anos de pressão da comunidade arménia nos Estados Unidos, até hoje nenhum presidente norte-americano tinha usado o termo "genocídio", que Biden refere por duas vezes no seu comunicado, dado o melindre da questão com o aliado de Ancara.

O presidente turco Tayyip Erdogan já reagiu, entretanto, à declaração de Joe Biden, manifestando-se contra a "politização por terceiros" do debate sobre a questão do genocídio arménio e afirmando que a Turquia não recebe lições de ninguém sobre a sua história.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG