Assessor despedido após videos sexuais no Parlamento chocarem a Austrália

O primeiro-ministro Scott Morrison considerou as imagens "vergonhosas".

A Austrália vive uma crise política após serem tornados públicos vídeos de assessores políticos a terem relações sexuais no parlamento do país. Uma pessoa foi despedida, de acordo com a BBC.

Um dos vídeos mostra o assessor a ter relações sexuais na secretária de uma assessora do parlamento.

O Primeiro-Ministro Scott Morrison descreveu os vídeos como sendo "vergonhosos".

Os vídeos foram tornados públicos depois de uma ex-funcionária revelar o medo de perder o emprego depois uma alegada agressão sexual.

A antiga funcionária, Brittany Higgins, alega que foi violada por um colega sénior num escritório em março de 2019. Alega ainda que se sentiu pressionada a não reportar o incidente à polícia.

Estas revelações levantaram uma onda de alegações e, na semana passada, milhares de pessoas juntaram-se em marchas contra o abuso sexual e assédio de mulheres na Austrália.

Estes vídeos chegaram aos media australianos através de um antigo membro do staff do governo, que disse que se tornou "imune" às imagens por causa do volume que recebia.

Além dos vídeos, filmados há dois anos, revelou que algumas pessoas utilizaram a sala de oração para ter relações sexuais e até trouxeram trabalhadoras sexuais para o parlamento.

​​​​​​​O denunciante descreveu uma "cultura de homens que pensam que podem fazer o que quiserem", acrescentando que alguns dos seus colegas eram pessoas em falência moral.

Scott Morrison disse aos jornalistas na terça-feira que estava "chocado".

"Devemos pôr esta casa em ordem. Temos de pôr a política de lado nestas coisas, precisamos de reconhecer este problema, e precisamos de o consertar", afirmou o primeiro-ministro australiano.

Anteriormente criticado pela sua resposta ao problema, uma vez que se recusou a encontrar-se com os manifestantes na semana passada, Scott Morrison convidou agora os líderes da marcha para se encontrarem com ele no parlamento, mas estes rejeitaram encontrar-se "atrás de portas fechadas".

Foram levantadas questões sobre a forma como o governo está a lidar com esta crise depois do membro do parlamento Michelle Landry dizer que "sentia pena" do assessor despedido.

A ministra Karen Andrews disse aos repórteres que a sua consciência "não permite ficar mais em silêncio" acerca do sexismo na política australiana, dizendo que as quotas de género para os representantes políticos deviam ser consideradas - algo que o primeiro-ministro Scott Morrison indicou que não seria totalmente contra.

"Tentámos da outra forma e não nos está a dar os resultados, por isso gostava de nos ver a fazer melhor nessa frente,", disse Morrison aos repórteres.

​​​​​​​O partido da oposição já tem estas quotas em vigor.

Há algum tempo que surgem alegações de bullying e assédio na política australiana. No entanto, as alegações de Brittany Higgins chamaram à atenção para a agressão sexual e para o sexismo.

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