Apoiantes de Trump invadiram Capitólio quando Biden estava a ser confirmado. Uma mulher morreu

Distúrbios provocados por manifestantes pró-Trump obrigou à interrupção da sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA. Foram horas de confusão que só acalmou com a efetivação do recolher obrigatório.

A sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA, no Congresso em Washington, teve de ser interrompida devido aos distúrbios provocados por manifestantes pró-Trump no Capitólio. Na sequência dos incidentes, uma mulher foi baleada no interior do edifício pelas autoridades e acabou por morrer, estando as circunstâncias do tiro ainda por apurar.

Enquanto os representantes e senadores discutiam a objeção levantada por um grupo de republicanos à contagem dos votos no Arizona, no início da sessão de ratificação dos resultados eleitorais, apoiantes do Presidente cessante, Donald Trump, violaram as barreiras de segurança colocadas em redor do edifício e invadiram o Congresso, partindo janelas e portas e obrigando a suspender a sessão em curso e proteger senadores e congressistas.

Geraram-se horas de muita confusão e alguma violência (ler mais abaixo), com a polícia a assegurar a segurança de senadores e congressistas - nenhum saiu beliscado - mas com os manifestantes a terem liberdade para circular pelos hemiciclos e até nos escritórios de alguns representantes.

A situação só viria a melhorar ao fim do dia, após a efetivação do recolher obrigatório em Washington, entretanto decretado pela mayor da cidade. Por esta altura, cerca das 23.30 de Lisboa, a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, anunciou que a votação de ratificação da eleição de Joe Biden ainda ia decorrer esta quarta-feira (madrugada de quinta-feira em Lisboa).

Trump pediu manifestação

Ao início do dia, durante um comício em frente à Casa Branca, Trump pediu aos manifestantes para se dirigirem para o Capitólio e fazer ouvir a sua voz, em protesto do que considera ser uma "fraude eleitoral", tendo mesmo dito que "nunca" aceitaria a sua derrota nas eleições de 3 de novembro.

Os manifestantes obedeceram ao comando do Presidente cessante e dirigiram-se para o Capitólio, tendo mesmo forçado a oposição da polícia, que tentou impedir a sua entrada no edifício.

Minutos depois, agentes de segurança começaram a evacuar escritórios do Congresso, por razões de segurança e, de seguida, aconselharam a suspensão dos trabalhos na Câmara de Representantes e no Senado.

Vários legisladores, incluindo republicanos, usaram as suas contas na rede social Twitter para criticar a ação dos manifestantes, dizendo que não se vão deixar intimidar pela sua presença ou pelos seus apelos para que a contagem de votos do Colégio Eleitoral seja rejeitada.

Pelo menos um engenho explosivo foi encontrado perto do Capitólio, com as autoridades a indicar que não constituiu um risco para a segurança do edifício, embora a sua presença tenha desencadeado um forte dispositivo de segurança no seu perímetro.

O chefe da polícia de Washington, Robert Contee, disse ainda que alguns manifestantes usaram "químicos" contra os agentes de segurança destacados para garantir a segurança dos congressistas, que tiveram de interromper os trabalhos que decorriam de contagem de votos do Colégio Eleitoral, para validar a vitória do democrata Joe Biden.

Durante os distúrbios, além de um civil que foi baleado dentro do edifício do Capitólio, foram detidas 13 pessoas por terem invadido espaço que lhes estava vedado.

Face ao descontrolo da situação, Donald Trump utilizou inicialmente o Twitter para pedir que os manifestantes se fizessem ouvir de forma pacífica, apelando-lhes depois para irem para casa.

Paralelamente, a mayor de Washington DC, Muriel Bowser, ordenou o recolher obrigatório a partir das 18.00 (23.00 em Lisboa), para ajudar no esforço das forças de segurança para conter os milhares de manifestantes que se concentraram no Capitólio, o que acabou por surtir efeito, já que a multidão começou a dispersar a partir dessa hora.

Um dos principais visados pelos manifestantes foi o vice-presidente cessante, Mike Pence, que teve inclusivamente de ser retirado do edifício em grande velocidade. Pence resistiu à pressão exercida nos últimos dias por Donald Trump, que lhe pediu para não aceitar a contagem de votos do Colégio Eleitoral.

Numa declaração divulgada minutos antes do início da sessão conjunta do Congresso para a contagem dos votos presidenciais, Pence referiu que o seu juramento de "apoiar e defender a Constituição" o impede de "reivindicar autoridade unilateral para determinar quais os votos eleitorais que devem ser contados e quais os que não devem".

Estas afirmações mereceram as críticas de Trump, que acusou o seu vice de não ter coragem "para fazer o que deveria ser feito" para proteger o seu país.

"Mike Pence não teve coragem para fazer o que deveria ser feito para proteger o nosso país e a nossa Constituição, de dar aos estados a oportunidade de certificar um conjunto corrigido de factos, e não os fraudulentos ou imprecisos que lhes tinham sido pedidos antes para certificarem", escreveu Trump na rede social Twitter.

No tweet, sinalizado pelo Twitter, que indica que "esta alegação de fraude eleitoral é contestada", o chefe de Estado norte-americano aponta que "os EUA exigem a verdade".

Biden diz que protestos são ataque à democracia

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os violentos protestos ocorridos no Capitólio foram "um ataque sem precedentes à democracia" do país e instou Donald Trump a por fim à violência.

Numa declaração ao país, Joe Biden abordou os protestos que ocorrem esta tarde no Capitólio, na cidade de Washington, onde os membros do congresso estavam reunidos para formalizar a vitória de presidente democrata, nas eleições de novembro. "Trata-se de um ataque àquilo que é mais sagrado para os norte-americanos", afirmou.

No discurso, Joe Biden exigiu que o ainda presidente Donald Trump fizesse imediatamente um discurso televisionado para pedir aos seus apoiantes que cessassem os atos de violência. "Ser americano é ter honra e tolerância", vincou.

António Costa "preocupado" mas confiante

O primeiro-ministro português foi uma das figuras internacionais que fez questão de demonstrar, esta quarta-feira, a sua preocupação com o momento conturbado por que passou a capital norte-americana, tendo usado a rede social Twitter para demonstrar isso mesmo.

Em dois tweets seguidos, em português e inglês, Costa publicou uma curta mensagem dando conta de que estava a acompanhar "com preocupação" os acontecumentos, mas acrescentando confiar na "solidez das instituições democráticas dos EUA.

Já no início da madrugada (hora de Lisboa) a mesma rede social tomou uma medida inédita relativamente ao ainda presidente dos EUA: bloquearam o acesso de Donald Trump à sua conta por 12 horas e retiraram três tweets seus.

Ameaaram-no ainda de simplesmente expulsá-lo da rede social.

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