Bolsonarista invade festa mata aniversariante lulista e é atingido em seguida

Marcelo Arruda, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, celebrava 50 anos num encontro com família e amigos em Foz do Iguaçu, no Brasil, cujo tema era Lula da Silva.

O agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho invadiu uma festa e matou a tiros o aniversariante, o guarda municipal Marcelo Arruda, na noite de sábado, dia 9, em Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, na região sul do Brasil. O evento celebrava os 50 anos de Arruda, que era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) local e fazia comemoração temática com bandeiras do partido e fotos de Lula da Silva, antigo presidente e pré-candidato à presidência. Na sequência, Arruda ripostou atingindo Guaranho, que está no hospital sob custódia.

Segundo relatos de testemunhas e as primeiras investigações policiais, a festa reuniu cerca de 40 convidados na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu. Por volta das 23h, Guaranho invadiu o local, acompanhado da mulher e do filho, e começou a insultar quem estava na festa e a gritar "aqui é Bolsonaro" entre outras palavras de ordem. O aniversariante não conhecia o invasor, garantem os convidados.

"Achámos que era um convidado, já que também havia bolsonaristas na festa, o Marcelo estava na cozinha e fomos chamá-lo para receber o homem, foi aí que vimos que eles não eram amigos e não era brincadeira, em seguida, ele [Guaranho] deu a volta de carro, insultou quem estava lá e disse que ia voltar para acabar com todo mundo, Marcelo estava com um chope na mão e jogou nele para expulsá-lo do local", contou André Alliana, amigo de Arruda, ao portal UOL.

"Com medo, Arruda foi até ao carro e voltou com uma pistola", disse ainda Alliana. "Quinze minutos depois, o cara [Guaranho] voltou sozinho. A esposa do Marcelo, que é polícia, tentou impedir que ele entrasse na festa mas ele começou a atirar, e atingiu o Marcelo na perna e no peito, o Marcelo também conseguiu atirar nele".

Arruda deixa mulher e quatro filhos, incluindo um bebé. Filiado ao PT, foi candidato a vice-prefeito de Foz do Iguaçu pelo partido em 2020. Guaranho, que chegou a ser dado como morto pela polícia mas segue estável no hospital, era ativo nas redes sociais no apoio a Bolsonaro.

Lula reagiu pelas redes sociais. "Uma pessoa, por intolerância, ameaçou e depois atirou no companheiro Marcelo, que se defendeu e evitou uma tragédia maior. Duas famílias perderam seus pais. (...) Meus sentimentos e solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de Marcelo Arruda".

"Embalados por um discurso de ódio e perigosamente armados pela política oficial do atual Presidente, que estimula quotidianamente o enfrentamento, o conflito, o ataque a adversários, quaisquer pessoas ensandecidas por esse projeto de morte e destruição vêm se transformando em agressores ou assassinos", reagiu o PT.

Outros candidatos presidenciais, como Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) também condenaram o ocorrido. Jair Bolsonaro disse há instantes que dispensa "qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores, a esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG