Kremlin alerta Biden: Impor sanções a Putin seria "destrutivo"

As sanções de Washington contra personalidades estrangeiras costumam implicar o congelamento de bens e a proibição de fazer negócios nos Estados Unidos.

DN/AFP
© ATALIA KOLESNIKOVA / AFP

O Kremlin classificou, esta quarta-feira, como "destrutiva" a ideia de se impor sanções ao presidente russo, Vladimir Putin, mencionada na véspera pelo seu homólogo americano, Joe Biden, em caso de uma invasão da Ucrânia.

"Do ponto de vista político, não é doloroso, é destrutivo", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à imprensa, advertindo que as medidas não terão o efeito desejado.

Na terça-feira (25), ao ser questionado por um jornalista se ponderava aplicar sanções, individualmente, a Putin, Biden respondeu: "Sim (...) posso considerar isso".

Se a Rússia "invadir todo país", ou "até muito menos" do que isso, terá "enormes consequências" e "mudará o mundo", afirmou o presidente americano, sem especificar que tipo de sanção estaria sobre a mesa.

As sanções de Washington contra personalidades estrangeiras costumam implicar o congelamento de bens e a proibição de fazer negócios nos Estados Unidos.

Peskov lembrou que a legislação russa proíbe, em princípio, autoridades de alto escalão do governo de terem ativos no exterior, motivo pelo qual tais medidas "não são, em absoluto, dolorosas" para eles.

No final de 2020, a Rússia mobilizou dezenas de milhares de soldados para a fronteira com a Ucrânia e multiplicou suas manobras militares. Essa movimentação aumentou o receio de uma invasão da ex-república soviética.

O Kremlin nega ter essa intenção e justifica os seus movimentos com a preocupação com sua própria segurança, pedindo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) garantias de que a Ucrânia não entrará nessa aliança militar.

'Número insuficiente'

Esta quarta-feira, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que o número de tropas russas colocadas nas suas fronteiras ainda é "insuficiente" para que possam lançar um ataque de grande envergadura contra o país.

O número "é importante, representa uma ameaça para a Ucrânia", mas, "no momento em que falamos, este número é insuficiente para uma ofensiva em grande escala contra a Ucrânia ao longo de toda fronteira", declarou Kuleba numa entrevista coletiva online.

"Isso não significa que não poderão aumentar ao nível suficiente num certo período de tempo", observou.
Segundo Kuleba, a Rússia está a tentar "destabilizar" a Ucrânia, "semeando pânico, pressionando seu sistema financeiro e ameaçando com ciberataques".

"Putin ficaria feliz, se o plano tivesse sucesso e não precisasse recorrer à força militar", completou o chanceler ucraniano.

Após uma série de encontros diplomáticos na Europa na semana passada, está prevista para esta quarta-feira uma reunião dos conselheiros diplomáticos do presidente Putin com o seu homólogos ucraniano, Volodymyr Zelensky, e francês, Emmanuel Macron, assim como com o chanceler alemão, Olaf Scholz.

Rússia, Ucrânia, França e Alemanha compõem o chamado Quarteto da Normandia, criado para resolver o conflito no leste da Ucrânia.

"Espero que seja uma boa discussão, aberta e que termine com o máximo de resultados", disse Peskov.