Guterres emocionado em Odessa. "Cada navio é também um símbolo de esperança"

"Em menos de um mês, 25 navios partiram de Odessa e de outros portos ucranianos, carregados com cereais e outros bens alimentares, com mais a caminho", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.

DN
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, no porto de Odessa, no sul da Ucrãnia | foto EPA/MANUEL DE ALMEIDA
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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou esta sexta-feira estar emocionado por visitar o porto ucraniano, de onde já é possível ver navios a partir com cereais para exportação.

"É muito emocionante para mim estar aqui hoje em Odessa e ver trigo ser carregado para um navio", disse Guterres. Manifestou, no entanto, tristeza por "olhar para este magnífico porto e ver os terminais praticamente vazios".

António Guterres espera, por isso, que "em breve", possa regressar ao porto de Odessa "e ver um porto vibrante com atividade, com todos os terminais em plena atividade".

Disse que é especialmente importante estar neste porto ucraniano no Dia Mundial da Ajuda Humanitária e lamentou a paralisação do porto de Odessa durante meses por causa da guerra. Mas devido aos esforços diplomáticos da ONU e da Turquia a situação alterou-se com "um acordo sem precedentes" que fez com que os navios com cereais e bens alimentares voltassem a zarpar dos portos ucranianos.

"Em menos de um mês, 25 navios partiram de Odessa e de outros portos ucranianos, carregados com cereais e outros bens alimentares, com mais a caminho. Carregaram bem acima de 600 toneladas de produtos alimentares - cereais, milho, óleo de girassol", afirmou.

Guterres afirmou que "cada navio é também um símbolo de esperança para os agricultores ucranianos, recompensados finalmente pelo seu trabalho", destacou o secretário-geral da ONU. "Esperança para os marinheiros, que sabem que podem navegar pelo Mar Negro em segurança. E, acima de tudo, esperança para as pessoas e os países mais vulneráveis do mundo", afirmou Guterres.

O secretário-geral das Nações Unidas aproveitou para fazer um apelo a partir do porto de Odessa aos países mais ricos do mundo para "abrirem as carteiras e os seus corações" de modo a ajudar a facilitar o escoamento e distribuição dos cereais aos que mais precisam. "Países em desenvolvimento precisam acesso ao financiamento agora, precisam do alívio da dívida e recursos para investir no seu povo agora", sublinhou Guterres.

"Todos devemos fazer mais para garantir total acesso global aos produtos ucranianos, bem como fertilizantes e alimentos russos", pediu ainda.

Apesar do acordo "sem precedentes", que permitiu desbloquear a exportação de cereais ucranianos, há ainda "um longo caminho a percorrer" em muitas frentes, alertou Guterres. O que se vê em Odessa é "apenas a parte mais visível da solução".

Afirmou que é importante que os governos e o setor privado também possam contribuir para fazer chegar os alimentos e fertilizantes russos, que não estão sujeitos a sanções, aos mercados.

Guterres saudou os esforços de todas as partes na concretização deste acordo, mas disse que é preciso continuar a contribuir mais para a segurança alimentar mundial e fazer chegar aos produtos alimentares às populações mais vulneráveis do mundo.

Falou ainda na necessidade de se chegar a um acordo de paz, em "linha com a carta das Nações Unidas e com o direito internacional".

Odessa é muito mais do que um porto, é um "símbolo do que o mundo pode fazer quando se trabalha em conjunto em prol do bem comum".

Durante a visita ao porto de Odessa, Antonio Guterres, pediu à Rússia que não desconecte a central nuclear de Zaporizhzhia da rede de energia elétrica ucraniana, numa altura em que Moscovo e Kiev trocam acusações sobre bombardeamentos contra as instalações nucleares.

"Obviamente, a eletricidade de Zaporizhzhia é energia elétrica ucraniana... Este princípio deve ser plenamente respeitado", afirmou Guterres. A Energoatom, operadora das centrais ucranianas, expressou o receio de que Moscovo, que tem o controlo da central desde março, desconecte Zaporizhzhia da rede elétrica.

Com AFP

Notícia atualizada às 13:50