FBI faz buscas em casa de Trump. "Até arrombaram o meu cofre"

Residência de Mar-a-Lago, Florida, do ex-presidente dos EUA foi, segundo o próprio, alvo de buscas. Donald Trump classifica a operação do FBI como sendo uma "conduta persecutória".

DN/AFP
Donald Trump.© Mario Tama/Getty Images/AFP

O ex-presidente dos EUA; Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que a sua casa de Mar-a-Lago, na Florida, foi "invadida" por agentes do FBI, no que ele classificou de uma "conduta persecutória".

"Estes são dias negros para a nossa nação, quando a minha bela casa de Mar-a-Lago em Palm Beach, Florida, está atualmente cercada, invadida e ocupada por um grande grupo de agentes do FBI", disse Trump num comunicado publicado na sua rede social Truth.

Trump, que não terá estado em casa durante a operação do FBI, acrescentou: "Esta é uma conduta inapropriada e persecutória, a utilização do sistema de Justiça como uma arma e um ataque dos democratas da esquerda radical que desesperadamente não querem que eu concorra às presidenciais de 2024".

Afirmou que "nada disto aconteceu a um presidente dos EUA" e que esta operação "só poderia acontecer em países do Terceiro Mundo". "Até arrombaram o meu cofre", relatou Trump.

"Depois de trabalhar e cooperar com as agências governamentais relevantes, estas buscas não anunciadas na minha casa não são necessárias nem apropriadas", disse Trump, numa longa declaração publicada na rede social.

O FBI não deu explicações sobre a operação e Trump não informou o motivo que levou os agentes federais à sua propriedade. No entanto, vários meios de comunicação, citando fontes próximas à investigação, indicaram que o FBI realizou uma busca autorizada por um tribunal relacionada com o possível uso indevido de documentos confidenciais. Pode estar em causa o envio de caixas com informação classificada para Mar-a-Lago, após o fim da presidência de Trump.

Em fevereiro, os Arquivos Nacionais informaram que recuperaram 15 caixas de documentos da propriedade de Trump na Florida. Segundo o Washington Post, as caixas continham documentos altamente confidenciais que Trump levou de Washington após a derrota nas eleições de 2020.

Os documentos - que também incluíam correspondência do ex-presidente Barack Obama - deveriam ter sido entregues, conforme estipula a lei, no final da presidência de Trump, mas acabaram na sua propriedade de Mar-a-Lago.

A recuperação das caixas levantou questões sobre a conformidade de Trump com as leis de registos presidenciais promulgadas após o escândalo de Watergate na década de 1970, que exigem que os presidentes preservem registos relacionados à atividade do seu governo.
Os Arquivos Nacionais solicitaram então que o Departamento de Justiça abrisse uma investigação sobre as práticas de Trump.

As buscas à propriedade de Trump acontecem numa altura em que decorrem as audiências da comissão de inquérito no Congresso sobre o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio por apoiantes do ex-presidente norte-americano.

O Departamento de Justiça dos EUA também investiga o caso, tendo o procurador-geral, Merrick Garland, referido que "nenhuma pessoa está acima da lei" e que pretende "responsabilizar todas as pessoas criminalmente responsáveis" por tentarem anular uma "eleição legítima".

Notícia atualizada às 08:48