B-21 Raider. Este é o novo bombardeiro nuclear furtivo dos EUA

Trata-se do primeiro bombardeiro norte-americano a ser exibido em mais de 30 anos.

DN
A nova geração do bombardeiro de longo alcande B-21, que substituirá os já antiquados B-52, fabricados pela Northrop Grumman.© HO / US AIR FORCE / AFP

A Força Aérea dos Estados Unidos apresentaram esta sexta-feira o mais novo bombardeiro nuclear furtivo, como parte da resposta do Pentágono às crescentes preocupações sobre um futuro conflito com a China.

O B-21 Raider é o primeiro bombardeiro norte-americano a ser exibido em mais de 30 anos.

"Precisávamos de um novo bombardeiro para o século XXI que nos permitisse enfrentar ameaças muito mais complicadas, como as ameaças que tememos um dia enfrentar da China e da Rússia", disse a secretária da Força Aérea norte-americana, Deborah Lee James, quando o B-21 Raider foi anunciado em 2015.

"O B-21 tem mais capacidade de sobrevivência e pode enfrentar essas ameaças muito difíceis", acrescentou na ocasião.

Antes da sua apresentação numa instalação da Força Aérea em Palmdale, Califórnia, apenas as representações artísticas do avião de guerra haviam sido divulgadas. As imagens revelam que o Raider se assemelha ao bombardeiro furtivo nuclear preto que substituirá, o B-2 Spirit.

O bombardeiro faz parte dos esforços do Pentágono para modernizar todas os três setores da sua tríade nuclear, que inclui mísseis balísticos nucleares em silos e ogivas lançadas por submarinos, para atender à rápida modernização militar da China.

"O B-21 Raider é o primeiro bombardeiro estratégico em mais de três décadas. É uma prova das vantagens duradouras da América em engenho e inovação", disse o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, na apresentação.

Muitos detalhes da aeronave estão mantidos em sigilo, mas o avião oferecerá avanços significativos em relação aos bombardeiros existentes na frota dos EUA, que Austin destacou nos seus comentários.

O governante elogiou o alcance - "nenhum outro bombardeiro de longo alcance pode igualar a sua eficiência" - e a sua durabilidade, dizendo que foi "projetado para ser o bombardeiro de maior manutenção já construído".

Tal como os aviões de guerra F-22 e F-35, o B-21 possui tecnologia furtiva, que minimiza o sinal de presença da aeronave devido à sua forma e aos materiais com os quais é construída, dificultando a deteção pelos adversários.

"Cinquenta anos de avanços em tecnologia de baixa observação foram investidos nesta aeronave", disse Austin. "Mesmo os sistemas de defesa aérea mais sofisticados terão dificuldade em detetar o B-21 no céu".
O avião também é construído com uma "arquitetura de sistema aberto", que permite a incorporação de "novas armas que ainda nem foram inventadas", disse .

Atualmente, encontram-se seis B-21 Raiders em produção.

A Força Aérea Norte-Americana planeia construir 100 que podem implantar armas nucleares ou bombas convencionais e podem ser usados com ou sem tripulação humana.

O custo dos bombardeiros é desconhecido.

No entanto, a Força Aérea dos Estados Unidos estabeleceu, em 2010, o preço para a compra de 100 aeronaves a custo médio de 550 milhões de dólares (cerca de 475 milhões de euros) cada -- cerca de 753 milhões de dólares (cerca de 715 milhões de euros) hoje -- mas não é claro quanto está a ser gasto.

A China está a caminho de ter 1.500 armas nucleares até 2035, e os proveitos em hipersónica, guerra cibernética, capacidades espaciais e outras áreas apresentam "o desafio mais consequente e sistémico para a segurança nacional dos Estados Unidos e o sistema internacional livre e aberto", adiantou o Pentágono esta semana no seu relatório anual sobre a China.