4 de julho. Biden reivindica "patriotismo com princípios" no Dia da Independência

No seu discurso, o presidente dos EUA referiu indiretamente a questão do aborto e referiu-se ao tiroteio em Chicago.

DN/Lusa
Biden com a primeira dama na celebração do Dia da Independência no Jardim Sul da Casa Banca.© EPA/Chris Kleponis

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reivindicou na segunda-feira um "patriotismo com princípios" para garantir a continuidade do país durante os festejos do Dia da Independência, num evento com militares na Casa Branca.

Biden admitiu que "o projeto" dos Estados Unidos "ficou aquém em muitos aspetos", mas que um patriotismo "que coloca as aspirações da maioria à frente das ambições de poucos" é a única maneira de garantir a sua continuidade.

Embora o chefe de Estado não se tenha referido expressamente à recente decisão do Supremo Tribunal sobre o direito ao aborto, disse que "(...) houve razões para pensar que o país estava a retroceder, que a liberdade foi reduzida e que os direitos que pensavam estar protegidos já não estão".

O Presidente norte-americano já havia criticado noutras ocasiões a decisão do Supremo de eliminar a proteção constitucional ao aborto, em vigor há quase 50 anos, chegando a defender a eliminação da regra de obstrução no Senado para aprovar uma lei que protege o aborto.

O democrata também fez referência ao tiroteio que ocorreu na cidade Highland Park, nos subúrbios de Chicago (Illinois), onde um homem de 22 anos identificado como Robert E. Crimo III disparou contra uma multidão, matando seis pessoas e ferindo pelo menos outras 30.

"Vocês todos ouviram o que aconteceu hoje. Todos os dias somos lembrados de que a nossa democracia não é garantida, que o nosso modo de vida não é garantido. Temos que defendê-la. Temos que conquistá-la", disse.

Biden lembrou ainda o acordo mínimo entre senadores democratas e republicanos que levou à aprovação da maior lei de controlo de armas de fogo em 30 anos, depois de outro tiroteio -- em Uvalde (Texas) -- ter deixado 19 crianças e duas professoras mortas há pouco mais de um mês.

O chefe de Estado defendeu também a robustez da economia do país, embora admitindo o "desafio" da inflação, descontrolada há meses e seriamente afetada pela invasão russa da Ucrânia.

Mesmo assim, Biden garantiu que olha para o futuro com esperança e disse que as divisões entre os norte-americanos que "preocupam" muitos dos seus concidadãos são mais pequenas daquilo que os une.