Presidente do Senado russo denuncia mobilização incorreta de cidadãos para a guerra

Vários relatos apontam para russos que não têm experiência militar e que estão a receber documentos preliminares para serem mobilizados.

A presidente do Senado da Rússia, Valentina Matviyenko, apelou este domingo às autoridades regionais para evitarem arbitrariedades na mobilização parcial de reservistas ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, para lidar com os reveses militares na Ucrânia.

"Depois da assinatura do respetivo decreto, o Ministério da Defesa tornou públicos os critérios para a seleção das pessoas chamados para as fileiras", disse Matviyenko, numa mensagem dirigida aos governadores regionais e publicada no seu canal do Telegram.

A responsável salientou que sobre uma questão tão "sensível não deveria haver lugar a várias interpretações e lacunas para a aplicação subjetiva" do decreto de mobilização.

"Ao mesmo tempo, estamos a ver relatos locais de casos de mobilização incorreta de cidadãos, que claramente não estão em conformidade com as regras de seleção declaradas pelo comando militar russo e que são ativamente discutidas na sociedade e nas redes sociais", advertiu a presidente do Senado.

Segundo a Defesa, que anunciou a mobilização de 300.000 reservistas, podem ser chamados para as fileiras os soldados rasos e suboficiais com até 35 anos, os oficiais subalternos até aos 50 anos e oficiais superiores até aos 55 anos de idade.

"Dá a impressão de que em alguns lugares consideram mais importante informar rapidamente do que desempenhar bem uma importante tarefa do Estado", disse Matviyenko, referindo-se a casos de mobilização de pais de famílias numerosas e de outros que não preenchem os critérios de seleção.

Sublinhou que tais excessos são "absolutamente inaceitáveis" e que considera "completamente justa" a reação negativa da sociedade aos mesmos.

A mobilização "parcial" ordenada por Putin reanimou os protestos no país contra a campanha militar na Ucrânia.

Mais de 2000 pessoas foram presas em ações de protesto que tiveram lugar na quinta-feira e no sábado em dezenas de cidades de todo o país.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG