África do Sul. Acusado de má conduta, Ramaphosa em maratona negocial para tentar manter presidência

O Presidente da África do Sul Cyril Ramaphosa adiou uma comunicação ao país para prosseguir uma maratona negocial sobre a sua continuidade no cargo, indicou o seu porta-voz.

"Estamos num momento sem precedentes e extraordinário da nossa democracia constitucional como resultado do relatório e, portanto, qualquer decisão que o Presidente tome, essa decisão deve ser informada no melhor interesse do país", declarou o porta-voz da Presidência da República sul-africana.

"Essa decisão não pode ser apressada. Pedimos desculpas pela impressão de que o Presidente iria dirigir-se à nação esta noite", adiantou o porta-voz Vincent Magwenya, em conferência de imprensa, na Cidade do Cabo.

Num relatório apresentado quarta-feira à Assembleia Nacional, a comissão parlamentar concluiu que o chefe de Estado pode ter violado leis anticorrupção num alegado incidente de roubo de uma elevada quantia de dinheiro encontrada dissimulada nos estofos dos sofás na sua quinta Phala Phala, em 2020.

O porta-voz do dirigente sul-africano sublinhou "a urgência e enormidade desta questão e o que significa para o país e para a estabilidade do governo", salientando que o chefe de Estado está em consultas com "todos os órgãos" do Governo, do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder, e os parceiros da aliança governativa que integra a confederação sindical Cosatu e o Partido Comunista da África do Sul (SACP), e uma "ampla gama de partes interessadas".

O Presidente Ramaphosa terá de indicar ao país a decisão que "pretende tomar", explicou o seu porta-voz, visivelmente exausto.

Momentos antes do anúncio presidencial, o comité executivo (NEC) do ANC, o órgão de decisão mais elevado no partido, anunciou também o adiamento para esta sexta-feira de uma reunião para eventualmente decidir o futuro de Ramaphosa, que ambiciona a reeleição na liderança do partido no congresso marcado para o próximo mês de dezembro, que irá escolher o candidato à presidência da África do Sul em 2024.

Uma fonte próxima das negociações internas no seio do ANC, indicou à Lusa que Ramaphosa "decidiu demitir-se do cargo" de Presidente da República. A Lusa contactou a Presidência da República, que não respondeu ao pedido de confirmação.

Vários órgãos de comunicação social sul-africanos avançaram também a renúncia de Rampahosa ao cargo de líder do ANC, retirando-se da corrida da liderança do partido na conferência eletiva agendada para Nasrec, Joanesburgo.

Na quarta-feira, o Presidente Ramaphosa negou as alegações, iniciadas pelo antigo chefe dos serviços secretos sul-africanos Arthur Fraser no mandato do ex-Presidente Jacob Zuma, após a entrega do relatório à Assembleia Nacional sul-africana.

"Tenho me esforçado, durante todo o meu mandato como presidente, não apenas para cumprir o meu juramento, mas para dar um exemplo de respeito pela Constituição, pelas suas instituições, pelo devido processo legal e pela lei. Nego categoricamente que tenha violado este juramento de alguma forma e, da mesma forma, nego que seja culpado de qualquer uma das acusações feitas contra mim", referiu o dirigente sul-africano em comunicado.

De acordo com a Constituição sul-africana, o vice-presidente do país, David Mabuza, assumirá interinamente o cargo de chefe de Estado até o Parlamento votar um novo presidente.

O Aliança Democrática (DA), o maior partido da oposição na África do Sul, apresentou hoje uma moção, defendendo a dissolução do Parlamento e a realização de eleições antecipadas no próximo ano.

A moeda sul-africana, o Rand, caiu mais de 03 por cento (para 17,58 rands) em relação ao dólar norte-americano.

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