Exclusivo Afinal o que se passa na selva amazónica?

Fogos, desflorestação, água e solos contaminados foram alguns dos motivos que colocaram a Amazónia no foco dos media. Desde o inicio da pandemia, isso mudou. As imagens que nos chegam mostram hospitais cheios e cemitérios com sepulturas a perder de vista. Calcula-se que 70% da população de Manaus, capital do Amazonas, tenha sido infetada por covid-19. Para impedir a disseminação da doença, foram proibidas as viagens para as reservas. Quando se pergunta a especialistas se a devastação do ecossistema continua, a resposta é: ninguém sabe!

Quando embarcámos, nenhum de nós sabia muito bem o que ia acontecer. Prometeram-nos um encontro com um dos animais mais emblemáticos da selva e também um dos mais temidos. Do que não estávamos à espera era que nos levassem para o meio do Rio Negro, um dos maiores rios da Amazónia, que nos pedissem que passássemos para uma pequena jangada ancorada no meio do rio. De inicio, as águas escuras pareciam calmas, até que os guias começaram a acenar com peixe. De repente vultos enormes cinzentos e cor-de-rosa começaram a elevar-se sobre as águas. A adrenalina aumentou quando nos disseram para entrarmos no rio. Quase ninguém acreditou que nos estavam a dizer para nadarmos sem pé, num rio onde, assim que mergulhávamos uma mão, esta desaparecia. Habitat de piranhas, anacondas, jacarés e estes seres enormes que têm fama de levar pessoas para o seu reino encantado no fundo do rio. Seres que de noite se transformam em jovens rapazes e conquistam as moças, deixando-as grávidas ou levando-as para nunca mais aparecerem. Seres que roubam peixe aos pescadores e lhes estragam as redes. Seres encantados que as comunidades das zonas ribeirinhas temem, respeitam e muitos odeiam: o boto.

Na Amazónia vivem duas espécies de golfinhos: o boto-vermelho também conhecido como boto cor-de-rosa (em inglês Amazon river dolphin) e o boto-tucuxi. Com cerca de 1,5 metros de comprimento, 50 kg de peso e coloração cinzenta, o Tucuxi vive em grupos que podem incluir até vinte indivíduos. Muito tímido, não se aproxima das embarcações nem de redes de pesca e, não tolerando o cativeiro, pouco mais se sabe acerca deste animal que, apesar de viver em água doce, pertence à família dos golfinhos que vivem no mar.

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