Afeganistão: Refugiados acolhidos colaboraram com militares portugueses

A ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, revelou que os cidadãos afegãos que chegaram a Portugal são pessoas que tinham colaborado com as forças militares portuguesas ao longo dos últimos 20 anos.

"Disponibilizámo-nos a acolher diferentes grupos de refugiados, alguns cidadãos afegãos que tinham colaborado com instituições europeias e internacionais, mas aqueles que agora chegam são os que tinham colaborado com as forças militares portuguesas", disse a governante.

Mariana Vieira da Silva, primeira-ministra em exercício, falava aos jornalistas no final do primeiro dia do "Summer CEmp", uma escola de verão que decorre em Alcoutim, no distrito de Faro, organizada pela Representação da Comissão Europeia em Portugal.

De acordo com a governante, "existe uma capacidade para acolher mais de 300 cidadãos do Afeganistão", e há a expectativa de que Portugal possa ainda receber pessoas que colaboraram com outros grupos europeus e internacionais, "de forma a garantir a segurança das pessoas que sentem os seus direitos e a sua segurança em risco".

"Vamos tentar acolher o maior número de pessoas, mas a minha preocupação no dia de hoje é acolher o melhor possível aqueles que chegam nas próximas horas. É um processo diferente de todos os outros processos de acolhimento de refugiados, porque não houve oportunidade de se fazerem as entrevistas que normalmente se fazem para saber as características de cada família", avançou.

Mariana Vieira da Silva explicou que os afegãos vão ser acolhidos "em dois centros temporários na região de Lisboa, procurando a partir daí definir os projetos de integração mais adequados a cada família".

Contudo, adiantou, existe disponibilidade em todo o território nacional para acolher os refugiados afegãos: "A nossa expectativa é de poder garantir que em vários pontos do nosso território possam ser acolhidos estes cidadãos, para poderem ter o direito à sua vida em segurança".

Questionada sobre o conflito do controlo do discurso de ódio e de liberdade de expressão em plataformas da internet, a ministra assegurou que o tema "está presente no plano de combate ao racismo e discriminação que o Governo aprovou no início do verão".

"É esse o caminho que Portugal tem de fazer, fazendo o debate onde deve ser feito, que é na Assembleia da República, para que essas liberdades possam ser equilibradas. Ninguém quer retirar a liberdade de expressão a ninguém. Agora insultar, perseguir, amedrontar não é liberdade de expressão, é uma forma de pressão sobre o outro", sublinhou.

Sobre o congresso do Partido Socialista que decorre durante o fim de semana em Portimão, e pelo facto de partilhar a mesa do congresso com possíveis sucessores de António Costa, Mariana Vieira da Silva disse que se trata de "um congresso normal, sobre a recuperação do país" e lembrou que "há três anos" também fez parte da mesa.

"É um congresso sobre esse futuro que precisamos de construir, sobre como recuperar o país desta crise, porque esse é que é o tema do congresso, porque de resto, o presente e o futuro do Partido Socialista é António Costa", apontou.

A ministra participou num 'pôr-do-sol' integrado na "Summer CEmp", que decorreu no Castelo de Alcoutim, onde durante mais de duas horas respondeu a perguntas dos vários estudantes universitários.

O "Summer CEmp" é um seminário onde, durante quatro dias, os estudantes têm a oportunidade de debater temas da atualidade, com personalidades da sociedade e aprender mais sobre a União Europeia e sobre o papel da Comissão Europeia.

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